A Federação Moçambicana de Futebol (FMF) confirma vários casos de suspeitas de falsificação de identidades de atletas, sobretudo nos escalões de formação.
A fonte vai mais longe ao afirmar que estas situações são ainda mais comuns nas equipas principais do país, com destaque para as da cidade de Maputo. Alguns casos foram descobertos recentemente na Selecção Nacional de futebol sub-17, aquando da sua participação no Torneio Luso-Cascais 2025.
O alerta é de Arnaldo Salvado, director técnico da FMF, que descreve o fenómeno como um problema estrutural, cultural e profundamente prejudicial à formação de atletas.
Segundo o responsável, a adulteração de documentos de identificação, incluindo bilhetes de identidade, passaportes e cédulas pessoais, é uma prática recorrente que começa nos escalões mais baixos da formação e se estende até às seleções nacionais juvenis. “A falsificação de idade e de identidade é crime”, sublinha Salvado, acrescentando que a prática tem impactos directos na credibilidade do futebol nacional e na qualidade da formação dos atletas.
TESTES MÉDICOS
EXPÕEM IRREGULARIDADES
Nas competições internacionais de sub-17, organizadas pela COSAFA e pela CAF, é obrigatório um teste médico de verificação etária, geralmente realizado através de exames ao pulso do atleta. Embora não seja absolutamente infalível, o exame permite determinar, com grande aproximação, a idade biológica do jogador.
É nesses momentos que muitas irregularidades vêm ao de cima. Salvado recorda situações em que metade da convocatória foi considerada inelegível após testes realizados antes de competições internacionais. “Já tivemos casos de jogadores com mais de 20 anos a competir em escalões juvenis”, revela.
Num dos episódios mais marcantes, após uma deslocação a Portugal, 12 dos 24 jogadores convocados foram considerados acima da idade permitida quando submetidos a testes posteriores. Noutra ocasião, 14 atletas foram identificados com idade superior à declarada. Estas situações obrigaram a reestruturações de última hora das equipas, comprometendo a preparação e o desempenho competitivo.
Além disso, os custos são elevados. Cada teste pode ultrapassar os 30 mil meticais por atleta, valor suportado pela FMF. “Por que deve ser a Federação a assumir esse custo quando os clubes apresentam jogadores com documentação falsificada?”, questiona o dirigente.


