Já lá se vão os tempos em que Clotilde Bernardo, simplesmente Cló, explorava, talentosamente, o meio-campo da Selecção Nacional de Futebol Feminino, ajudando-a, em muitas frentes, a se impor na região e em África.
Partilhou balneário com Lurdes Mutola, Fifi, Sarita, Lucinha, Grita Maferano, a saudosa Augusta Gugu, Ana Xirinza, Elsa, Xingeleza, Nini Cuta, Leila Moçambique, Amélia Mbanze, Celeste Cuna, Racira, Maria de Lourdes Mutola, Sandra Koroma, Aisha, Nene, Aurora, Albertina Ponja, Otília e Amália, entre outras craques.

Entretanto, em 2021 os seus sonhos desvaneceram-se. Uma grave lesão muscular num treino da Selecção pôs um ponto final abrupto a uma carreira promissora, até porque os 36 anos de idade, à época, não eram um fardo pesado nas costas.

É exactamente por não sentir o peso da idade que Cló inconformou-se. Olhou para os lados, à procura de algo que a completasse. Que a fizesse sentir-se viva. Que enxugasse as lágrimas provocadas pelo fim abrupto da sua carreira. E encontrou um refúgio no ginásio, nos longes da distância, em Portugal, onde reside há quatro anos.

Hoje, é apaixonada pelo mundo do fitness. Quem a vê assiduamente em luta frenética com pesos, halteres, esteiras e outras máquinas na Póvoa do Varzim conclui logo estar perante uma grande entusiasta do fitness. Mas a sua devoção pelo ginásio extrapola isso.
Para Cló, o preparo físico virou um doce vício. Um estilo de vida. Cada movimento seu entre as máquinas é um choro de quem viu a sua carreira interrompida inesperadamente, quando ainda tinha forças para continuar.
Segue a breve história desta ex-futebolista, que agora sonha em atingir patamares profissionais no mundo do condicionamento. Extremamente focada nos seus objectivos, Cló diz que “fora do trabalho gosto de treinar, cuidar da minha saúde física e mental, bem como estar rodeada de pessoas que acrescentam valor à minha vida. Acredito muito em Deus, na disciplina e no poder da superação”.

