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O LEÃO ESTÁ REFORJADO PARA RUGIR

É o último dinossauro que foi confiado pelos sócios para gerir o Sporting de Quelimane, num contexto de crise financeira e outros choques organizacionais. Tomou posse há dias para um mandato de quatro anos e já está a trabalhar na requalificação do campo de futebol de onze e polivalentes por forma a emprestar-lhes condições desejáveis para acolher jogos oficiais. Trata-se de Adélio Assane, ou “Zaga Two”, como é conhecido nos meandros desportivo e empresarial.

Sem ser filho pródigo, “Zaga Two” voltou à casa que lhe viu crescer como jogador de futebol nos juniores e mais tarde nos seniores, depois de ter estado por quatro anos como vice-presidente do 1º de Maio de Quelimane, clube que ajudou a ascender ao Moçambola. Voltou, sim, à casa com projectos e trunfos na manga para tornar o Sporting, fundado em 1933, uma equipa ganhadora, organizada e projectá-la para outros níveis de competição e desenvolvimento.

Enaltece os progressos deixados pelo seu antecessor, Armando Cardoso, sobretudo nas camadas de formação e incentivos sociais aos trabalhadores do clube, o que lhes conferiu maior dignidade e um futuro sem muitos desajustes sociais. Acampanhe, de seguida, os excertos da conversa: 

O que lhe moveu para concorrer à presidência do Sporting Clube de Quelimane?

– Estar na presidência deste clube e contribuir para o seu crescimento foi um sonho de infância. Sou desportista e tenho o coração do leão; fui jogador nos juniores e mais tarde nos seniores e por razões de formação profissional acabei indo a Maputo para frequentar o curso de agente aduaneiro nas Alfândegas mas sempre estive ligado ao Sporting Clube de Quelimane e ao futebol. Como sócio e com esse sonho, foi necessário aprender muito dos mais velhos e agregar valor às experiências de gestão mais bem conseguidas. Já fazia parte da Direcção do Sporting e com o apoio de alguns sócios viabilizei a minha candidatura e projecto para revolucionar o clube. Sem pretender fazer críticas às anteriores direcções, o meu projecto é fazer um Sporting diferente, por isso as prioridades vão para a requalificação das infra-estruturas, retorno da equipa principal de futebol às provas de alta competição a nível provincial, regional, e a médio prazo ao Moçambola. Faz ainda parte do meu projecto retomar as modalidades de basquetebol, futsal, atletismo e introduzir a patinagem e o ciclismo. O Sporting de Quelimane é uma grande equipa e histórica, daí que não pode ficar muito tempo sem aparecer na alta roda do desporto nacional.

TRANSFORMAR NOSSA FORMAÇÃO

EM NEGÓCIO PARA A SOBREVIVÊNCIA  

Quais são as principais prioridades?

No futebol pretendemos relançar a formação no clube para todas as modalidades praticadas na Zambézia. Será uma formação com bases sólidas e transformará isso em negócio para a sobrevivência do clube. Iremos buscar no mercado local bons treinadores das diversas modalidades para assumirem o protagonismo nesse aspecto. Há clubes, por exemplo, que formaram bons jogadores e ofereceram às equipas que estão no Moçambola. O Sporting tem de recuperar o investimento feito na formação e pode ser uma parte importante para a nossa tesouraria. A outra prioridade são as infra-estruturas, como por exemplo o campo de futebol de onze, o pavilhão polivalente e rentabilizar bem outro tipo de infra-estruturas que temos no clube. Algumas já estão arrendadas e são uma fonte importante para o clube, mas há um grande manancial que precisa de ser reabilitado e modernizado para mandar arrendar. Queremos conferir condições de trabalho óptimas aos jogadores, treinadores, formadores e aos trabalhadores.

– Quanto dinheiro tem para viabilizar esse projecto de governação?

– Devo lhe dizer que não trago soluções mágicas, mas há muita gente de boa vontade que pretende apoiar o clube. Primeiro são as ideias e depois vamos buscando recursos onde estiverem. Por exemplo, estamos a requalificar o pavilhão polivalente. Pessoalmente não tirei nem sequer um metical para isso. Recebemos apoios multiformes, como por exemplo material de construção, cimento, ferro, tintas e mão-de-obra para prestar o serviço pago por pessoas que amam o clube. O mesmo está acontecendo com o campo de futebol. Mas para isso precisamos de ter os campos em condições para materializar aquilo que são as nossas apostas, que passam pela formação. Com os campos danificados ou como estavam não ia ajudar muito na formação. Por isso estava a tentar, no máximo, criar as condições mínimas e necessárias para existir uma boa formação. Se alguém quer jogar ou quer alugar os nossos campos pelo menos já tem um campo e os balneários activos a funcionar em pleno.

O que vai fazer em prol da melhoria das condições dos trabalhadores?

– Aqui gostaria de dar os meus parabéns ao Engº. Armando Cardoso, o meu antecessor. Fez grande progresso na vida dos trabalhadores. Todos eles têm salários em dia e descontam para o Instituto Nacional de Segurança Social. Se não estiver enganado o Sporting é o único clube nessas condições na Zambézia. Eu não irei fazer diferente. Podemos ter bons treinadores, bons atletas, mas se não proporcionarmos o melhor ambiente para aqueles que cuidam do clube vinte e quatro horas nada feito.

Como vê o desporto na Zambézia?

– Ficámos distraídos e o improviso passou a ser o nosso modelo de gestão desportiva. Nessa situação melhores resultados nunca poderemos conseguir. O nosso desporto precisa de uma reorganização profunda do topo à base. Os clubes devem ter gestores e dirigentes que gostem do desporto, os trabalhadores devem ser continuamente treinados e os treinadores a impor uma gestão criteriosa sobre o património. Temos tudo para dar certo, em todas as modalidades há talentos que precisam ser lapidados e dar uma orientação clara.  

Por que é que lhe chamam por “Zaga Two”?

Quando estava na formação em Maputo, eu era o único do quarto que curtia as músicas do MC Roger; nessa altura estava no Instituto Comercial em Maputo. O MC Roger canta suas músicas “zagaza” e eu imitava. Os meus colegas passaram a me chamar por Zaga. Quando começei a trabalhar comprei uma viatura e escrevi no canto direito do vidro Zaga I. Passou um tempo, comprei a segunda viatura, foi quando os meus colegas nas Alfândegas sugeriram que devia ser Zaga II mas deveria ser em Inglês, logo, ficou Zaga Two e a coisa pegou. Hoje se chamares por Adélio dirão que não me conhecem, mas Zaga Two sim.

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