Quando Baciro Candé aceitou o convite do Costa do Sol, em Fevereiro, sabia que não entrava num projecto acabado, mas dificilmente poderia antecipar a profundidade do desafio. O treinador guineense chegou a Maputo num contexto de urgência absoluta, chamado a estancar uma crise que se instalou antes mesmo de a época ganhar forma. O português Nélson Santos, anunciado como aposta estratégica da direcção em Dezembro de 2024, abandonara o cargo de forma inesperada no início de Janeiro, deixando um vazio técnico e estrutural difícil de preencher.
A direcção liderada por Alberto Banze encontrou em Baciro Candé a solução e o acordo foi rubricado a 17 de Fevereiro. O mesmo tinha prazo curto, mas missão pesada: estabilizar uma equipa construída por outro treinador e manter o Costa do Sol competitivo no Moçambola.
“Vim herdar uma casa demolida”, resumiu Candé, numa das declarações mais fortes sobre a sua passagem pelo clube, explicando o ponto de partida de um trabalho que nunca foi, verdadeiramente, seu desde a génese.
“Enquanto profissional, abracei o desafio. Acreditei sempre na direcção e mantive a convicção de que dias melhores viriam. Trabalhámos intensamente durante os três meses em que o campeonato ainda não tinha começado. Procurei implementar o meu modelo de jogo com a minha equipa técnica. Independentemente de o plantel ser novo, as ideias tinham de ser novas, porque também chegou um treinador novo, com os seus colaboradores — uma equipa técnica competente e fiável.
Para já, fica o retrato de um treinador experiente que chegou em emergência, tentou reconstruir sobre escombros e deixou um aviso claro: sem bases sólidas, nem mesmo os clubes mais históricos conseguem sustentar sonhos de campeão.


