Os “maxaquenenses” continuam a festejar o seu regresso ao Mocambola, seis anos depois, como que de um título nacional se tratasse. Não se trata de alegria de um pobre que de repente tem o pão à mesa. É o jubilar de um monstro que retorna ao seu habitat natural.
Estas palavras não devem ser interpretadas como que de emoção leviana se tratasse-se ou de um “doente do Maxaquene”, que até já foi dirigente, porque o Maxaquene faz parte da história do desporto desta pérola do Índico. Pelo que, o Maxaquene é grande demais para estar a competir em ligas menores. O mesmo digo sobre o Desportivo, Têxtil do Púnguè, entre outros, que fizeram a sua história e hoje fazem a travessia do deserto, apagando o tempo que estas emprestavam beleza ao espectáculo desportivo.
Sem o brilho dos seus momentos áureos, o Maxaquene mostrou que pode, de novo, levar adeptos aos campos, a tal pecha actual num jogo. Aliás, para mim, um jogo sem público é um alimento sem sal ou sem açúcar (perdoem-me os que não podem consumir estes ingredientes por questões de saúde).
O Maxaquene-Estrela Vermelha não parecia um jogo de divisão secundária, pela enchente verificada, fazendo inveja às partidas do Moçambola em Maputo, onde desfilam o Ferroviário de Maputo, Costa do Sol, outras colectividades com um bom número de adeptos. Naquele jogo, os adeptos eram maioritariamente do Maxaquene. Também estavam apoiantes de outros clubes, mas trajados a “tricolor”, em solidariedade ao grande Maxaquene. Em destaque estavam também presentes outras grandes figuras com ligações anteriores ao clube, como foram os casos de José Viegas, Solomone Cossa, Salvador Macamo, Roque Gonçalves, entre outros tantos.
Foi um espectáculo agradável, dentro de um outro espectáculo, onde o Estrela Vermelha, digno vencido, soube valorizar. E pela qualidade emprestada pelos “alaranjados” vão os meus parabéns ao seu técnico e meu antigo atleta no Maxaquene no início do século 21, Gervásio Mavume (Caló), excelente profissional, que auguro uma carreira maravilhosa como treinador.
A partir do que se viu, perspectiva-se uma imagem agradável do próximo Moçambola, pela presença do Maxaquene, sobretudo em “derbies” diante de outros grandes, dignos desse nome.
Acredito que a moldura humana será um condimento importante para uma boa imagem que pode atrair mais parceiros para o principal campeonato do país.
Entretanto, a qualificação do Maxaquene abre outros precedentes, porque não há, para mim, sinais visíveis de parceiros a se juntarem à marca Maxaquene para “engolir” as obrigações características do Moçambola, mormente a construção de um plantel que possa responder às necessidades de ter uma equipa competitiva e respeitada, ter garantias de suster o pagamento de salários a tempo e horas, além de suportar a logística, sobretudo nas viagens.
Lembro que há dias tive uma troca de palavras com um parente, um outro “maxaquenense” de gema e com ligação muito forte ao clube, causadas pelo meu questionamento sobre a existência ou não de garantias para aguentar com as tais despesas da prova-mãe do futebol, disputada nos moldes actuais.
A conversa aconteceu antes do jogo da finalíssima com o Estrela Vermelha e a reacção foi a que eu esperava, porque, como ele, a maioria dos “maxaquenenses” pensava, em primeiro lugar, que o Maxaquene regressasse ao Mocambola e que o resto ficaria nas mãos de Deus.
Como na minha mocidade, um período que o país era dirigido por Samora Machel, ouvia, muitas vezes, “a vitória prepara-se, a vitória organiza-se”, não consigo ignorar a questão: Estará o Maxaquene preparado para o Moçambola?
Com isto, não quero deixar de entender que este é um momento de euforia no seio da família “tricolor”. Aliás, o lado saudável do desporto é de poder festejar a cada etapa, independentemente do que surgirá à frente.
Considero que a euforia não impede de fazer uma viagem ao ponto da perspectiva que, desde já, se apresenta diferente e extremamente difícil.
Neste momento de euforia dos “tricolores”, lembro-me de uma imagem, a circular pelas redes sociais, de Almeida Ubisse, antigo jogador do Maxaquene (também do Ferroviário de Maputo e da Selecção Nacional) no leito de um hospital, padecendo de uma enfermidade que o deixa debilitado.
Vai o meu desejo de ver encontrada uma solução para que Almeida volte ao convívio familiar, sem qualquer dano.


