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DUPLO DUPLO

QUANDO DIRIGIR PROVOCA RUÍDO DESTRÓI-SE A ECONOMIA DO FUTEBOL

Gosto de uma célebre frase da antiga Primeira-Ministra Luísa Diogo, infelizmente falecida no passado dia 16 de Janeiro, segundo a qual “a economia é como um pássaro que foge ao mínimo barulho à sua volta”.

A declaração da antiga governante foi feita num contexto de crise política que, também, havia provocado uma instabilidade militar em algum momento da nossa história recente, alertando que situações do género afastariam investidores e afectariam negativamente a economia nacional.

Vem este introito a propósito do repetitivo cenário de actos e declarações do presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), Feizal Sidat, que muito parecem concorrer para desestabilizar o “mercado” do futebol nacional, com todas as consequências daí decorrentes.

O facto de parecer que a FMF está completamente desalinhada com a Liga Moçambicana de Futebol (LMF), com aquela instituição quase sempre a ir em contra-mão com esta, não ajuda no processo de desenvolvimento do futebol nacional.

A título de exemplo, durante a época passada o presidente da FMF apareceu várias vezes a descredibilizar tudo o que estava sendo feito pela LMF e clubes a si associados, mesmo sendo do domínio público que a atipicidade com que foi disputado o Moçambola-2025 teve como génese a crise económica provocada pelas manifestações violentas que se seguiram às eleições gerais de 19 de Outubro de 2024. Outrossim, foi aspecto central na crise do Moçambola o agravamento, em dobro em relação à temporada anterior, dos preços de passagens aéreas por parte das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), empresa também afectada por uma conjuntura comercial que lhe foi desfavorável.

Já no final do ano, quando a LMF, depois de reunir com os clubes e ter previamente comunicado à própria FMF que iria terminar o Moçambola-2025 a três jornadas do fim, esta veio a público dizer que não reconhecia a decisão tomada, significando que não reconhece, por exemplo, a União Desportiva de Songo como campeã nacional.

Ainda no mesmo quadro, a FMF disse que iria evocar o poder de organização do Moçambola, ignorando por completo as normas jurídicas que conferem poder à LMF para tanto.

O presidente da FMF precisa de entender que o cargo que ocupa é, para a sociedade moçambicana, tão alto que as suas declarações precisam de ser ponderadas, sob pena de impactarem negativamente na economia do futebol.

Ou seja, estes barulhos à volta do futebol e que têm Feizal Sidat como protagonista em nada ajudam a modalidade.

O futebol precisa de uma gestão silenciosa, mesmo que actuante, sob pena de, parafraseando Luísa Diogo, cada vez que o presidente da FMF abrir a boca estiver como que a disparar uma bala que assusta o pássaro que foge para bem longe.

É que no actual cenário, em que muito se falou e fala mal do futebol pelo próprio presidente da FMF, é mestre saber que dificilmente uma empresa sentir-se-á confortável em associar a sua imagem, investir ou patrocinar na modalidade.

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