Há pessoas que passam pelo desporto. E há outras que parecem nascer dentro dele.
Lucília Caetano pertence à segunda categoria. Nos meandros do basquetebol moçambicano poucos chamam-na pelo nome verdadeiro. Para quase todos, ela é simplesmente “Mamusca”. Um nome que atravessa gerações, torneios, medalhas, lágrimas, risos, viagens e bancos de suplentes. Um nome que carrega 53 anos de basquetebol, dos 63 de idade.
“Mamusca” teve o primeiro contacto com uma bola de basquetebol aos 10 anos, na escola primária, mas antes jogou futebol, inspirada pelos irmãos, que eram também praticantes do desporto-rei. Só que o futebol deixava-lhe marcas no corpo.
“Chegava a casa com contusões. Enfim, então isso tudo fez-me entrar nesta febre do basquetebol.”
E a febre nunca mais passou. Na casa dos Caetano, o desporto era quase uma disciplina obrigatória. Os irmãos jogavam futebol. As irmãs praticavam basquetebol. E Lucília acabou por abraçar tudo, tendo ainda entrado noutras modalidades, entre elas o andebol.
“Como formei-me em Educação Física, tive a oportunidade de passar por várias modalidades desportivas. E isso, parecendo que não, foi uma maneira de cada um de nós ter uma formação como pessoa. Porque o desporto faz-nos isso”, explica.
Quando fala sobre a juventude, o tom muda. Fica mais pesado. Mais preocupante. Para “Mamusca”, é triste ver os mais jovens sem interesse pelo desporto e envolvidos em vícios.
Mas foi exactamente na primeira edição dos Jogos Escolares, em 1978, que a antiga jogadora começou a escrever o seu nome dentro da modalidade. Campeã nacional ainda jovem, seguiria depois para o Desportivo, o “clube da casa”, como lhe chama.
“Em 79 fui chamada pela primeira vez para a Selecção Nacional. Em 80 fui aos Jogos Internacionais, em Angola”.
Vieram os torneios internacionais, campeonatos africanos, as medalhas, os títulos nacionais e uma longa carreira interrompida apenas em 1992, quando decidiu deixar o desporto federado ou quase, porque, na verdade, Lucília nunca saiu do basquetebol.

