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“Doeu-me tomar essa decisão. Foi ainda mais dura para mim, porque o meu filho ama o futebol e até chorou quando soube da notícia".
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MAMBAS

DOEU-ME A DESPEDIDA ATÉ O MEU FILHO CHOROU

Um dos futebolistas mais queridos do futebol nacional e uma das referências mais cintilantes da Selecção Nacional despediu-se. Como não poderia deixar de ser, o adeus foi marcado por um misto de tristeza e gratidão pelo fim de um ciclo e por tudo o que, ao longo de 19 anos, deu ao país. Edson Sitoe, ou simplesmente Mexer, é o nome de quem se fala. O internacional moçambicano decidiu retirar-se dos “Mambas” aos 37 anos, após um CAN histórico.

O jogador, que se estreou pela Selecção Nacional em 2007, num jogo diante da Zâmbia, a contar para a Taça COSAFA, falou ao desafio sobre o momento de grande decisão na sua carreira, os sentimentos que carrega consigo e o que motivou a sua despedida.

“Doeu-me tomar essa decisão. Foi ainda mais dura para mim, porque o meu filho ama o futebol e até chorou quando soube da notícia. Eu, após o jogo (Nigéria), falei com ele por videochamada, dei-lhe a notícia, e ele chorou ao ouvir que iria deixar a selecção. O meu filho é uma pessoa que entende de futebol, fala dos detalhes dos meus lances. Então, se um dia voltasse à selecção, que amo representar, seria pelo meu filho”, afirmou.

Neste momento do adeus, Mexer, que fez 80 jogos pelo combinado nacional e marcou três golos, puxa a “cassete” para trás e diz recordar-se da sua estreia com muita emoção.

“Lembro-me da minha estreia na Selecção Nacional como se fosse hoje. Representar o meu país durante esses quase 20 anos foi muito agradável. Cada momento foi vivido com muito orgulho, amor e prazer pelo país que me viu nascer e crescer como jogador de futebol. Foi muito gratificante. Agora é só agradecer por todos estes anos que joguei pela selecção, pelo carinho de todos os amantes e simpatizantes do futebol. Agradecer à Federação Moçambicana de Futebol, porque considero-me um filho da mesma. Passei por todas as equipas das camadas inferiores, desde os sub-17 até aos seniores. Agradecer a todos, sobretudo ao povo, que acreditou em mim. Não é um adeus, é um até breve, porque ainda é possível voltar à selecção, mas para já a minha mensagem é de agradecimento a todos os moçambicanos”.

Questionado sobre o que motivou a sua retirada da Selecção Nacional, Mexer foi peremptório ao afirmar que pensou na entrada dos jogadores mais novos.

“Decidi abrir espaço para os mais novos. Não houve nada de mal, nem qualquer tipo de desentendimento. Apenas achei que era chegado o momento de me retirar e dar oportunidade para a juventude brilhar. Não é que eu ache que não tenha capacidade, mas penso que já não tenho nada a provar. Quero continuar a desfrutar do pouco tempo que ainda tenho para jogar futebol. Resumindo, a minha saída vai criar oportunidades para essa nova geração que está a surgir. Ainda sinto-me fresco e vou continuar ligado ao meu clube, num campeonato muito competitivo. Tive propostas para jogar em clubes da Super Liga turca, mas optei por jogar no Ankara da II Liga. Ainda sinto que tenho muito para dar e irei continuar a desfrutar, com prazer, daquilo que mais gosto: jogar futebol”, explicou.

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