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Para a presente época, o grande objectivo passa por tentar os mínimos para o Campeonato Africano, um desafio que reconhece ser difícil, mas que encara com determinação.
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ENTREVISTA

MACUÁCUA: RECORDISTA MANTÉM SONHO AFRICANO 

Nas pistas do atletismo, onde o tempo dita sentenças e a distância pesa mais do que os aplausos, Alex Macuácua corre carregando nos ombros muito mais do que o corpo permite. Corre com sonhos, dúvidas, cicatrizes invisíveis e a esperança teimosa de quem se recusa a parar, mesmo quando o caminho se torna árido.

Natural de Chibuto, na província de Gaza, Alex Orlando Macuácua nasceu a 3 de Novembro de 2004. O seu encontro com o atletismo aconteceu ainda na juventude, nos corredores simples da Escola Secundária de Chibuto, sob a orientação do professor Francisco. Foi ali que o talento começou a ganhar forma e o destino a desenhar-se, transformando uma prática escolar numa vocação que exigiria disciplina, renúncias e uma fé persistente no futuro.

O percurso levou-o além-fronteiras, radicado actualmente em Portugal, competindo pelo Sporting, onde treina e participa em provas de alto nível, sobretudo nas distâncias de fundo. A experiência internacional trouxe crescimento, mas também desafios profundos. Em 2023, uma lesão interrompeu um momento importante da sua carreira, obrigando-o a parar e a reaprender a esperar, numa modalidade em que cada segundo conta.

Ainda assim, a resiliência falou mais alto. Alex entrou definitivamente para a história do atletismo moçambicano ao bater o recorde nacional dos 10.000 metros em 29 minutos e 14 segundos, uma marca que resistia há mais de quatro décadas desde os tempos de Pedro Mulomo (30 minutos e nove segundos). Mais tarde, viria também a estabelecer o recorde nacional dos 5000 metros, correndo a distância em menos de 13 minutos, 49 segundos e 86 centésimos, consolidando-se como uma das maiores promessas do atletismo nacional.

Apesar dos feitos, o atleta afasta a ideia de que corre apenas por recordes, a preparação, garante, nunca foi direccionada exclusivamente para bater marcas, mas para alcançar uma boa forma física em todas as competições. Para a presente época, o grande objectivo passa por tentar os mínimos para o Campeonato Africano, um desafio que reconhece ser difícil, mas que encara com determinação.

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