Os mais entendidos do futebol costumam dizer que o talento por si só não basta para se atingir o sucesso. Há outros condimentos que devem andar de mãos dadas com esse dom natural. Humildade, profissionalismo, rigor e dedicação são recursos também indispensáveis que quando aliados à maturidade tornam-se uma “arma” para singrar em qualquer palco. Ora, por aquilo que vão sendo as suas exibições, diga-se, brilhantes, Geny Catamo vai dando indicações claras de que conseguiu congregar todos estes adjectivos.
O internacional moçambicano, ainda com muitos anos de futebol pela frente, alcançou algo que uns adquirem mais cedo; e outros mais tarde: a maturidade. Nota-se quando tem a bola ou sem ela, aliado à forma como lê o jogo, compreende em cada momento o que se exige de si e a decisão a tomar em curto espaço de tempo.
Aquele futebolista que quando chegou ao Amora de Portugal (sua primeira experiência na Europa), aos 18 anos, era uma esperança e ao mesmo tempo uma promessa, hoje é uma certeza. Dá mostras de um atleta feito. O seu nome vai ecoando cada vez em relvados internacionais, quer com a camisola da Selecção Nacional, quer pelo Sporting, seu clube a partir de 2019, um ano depois de ter representado os “amorenses”.
Após um período marcado por lesões, com ansiedade, nervosismo e falta de disciplina táctica, natural num jovem que pretende-se projectar o mais rápido possível, o momento de Geny parece ter, finalmente, chegado.
MELHORIAS SIGNIFICATIVAS
No Sporting, primeiro com Rúben Amorim e agora com Rui Borges, aprendeu a posicionar-se melhor, ficando mais evidente a sua evolução na ocupação de espaços, a atacar com melhor definição quando é solicitado para missões ofensivas e/ou mesmo a defender, entende-se que no futebol moderno também os atacantes têm a missão de defender. Aliás, há duas épocas Geny foi experimentado por Rúben Amorim a lateral-direito e deu-se bem nessa função, que outrora era de todo “estranha”.
Com a assimilação do futebol europeu, ajuntando ao seu inegável talento, o extremo, dono de um bom pé esquerdo, capaz de tornar acções difíceis em fáceis, vai se afirmando na presente época como uma unidade indispensável no “xadrez” de Rui Borges.
Se a 29 de Dezembro de 2021, data que se estreou na equipa principal do Sporting diante do Portimonense para I Liga Portuguesa, era visto com um jogador para rodar e ser emprestado, pouco mais de quatro anos depois assiste-se a afirmação e consolidação. Recorde-se que após a sua estreia foi cedido por empréstimo ao Guimarães e Marítimo, experiências que lhe fizeram bem, uma vez que foi na época 2023/2024 que viria se afirmar de vez entre os maiores craques dos “leões”.
Geny é daqueles casos que da incerteza supera-se e torna-se uma referência obrigatória. Lembrar que quando saiu da Black Bulls para o Amora, dos campeonatos distritais, mostrou que não era jogador para se exibir nos “quarteirões”. Queria mais e deu o salto para o Sporting, começando por integrar os juniores (sub-19), depois os Sub-23 (Liga Revelação) e em seguida a equipa “B”, antes de Amorim solicitá-lo à formação principal.
Com três épocas de exibições regulares, Geny ganhou espaço notável na equipa “leonina” e, por muitos, é apelidado de génio, apresentando-se como nunca antes visto desde que veste a camisola dos bicampeões portugueses.
Pelos “Mambas” tem pautado pela mesma perfomance e tem se assumido como a nova “estrela” de um país que estava carente de celebrações continentais.


