Figura lendária e ao mesmo tempo polémica do futebol moçambicano, Abdul Omar está de volta ao Moçambola. Aos 61 anos, o treinador que já conduziu várias equipas à elite nacional regressa à sua terra natal, Vilankulo, para assumir o comando da ADV.
Conhecido pela disciplina férrea, capacidade de transformar balneários desmotivados e por uma aura que muitos confundem com misticismo, Omar promete devolver a ambição e identidade ao clube que representa a sua origem e história.
“Eu vivo e respiro futebol. É o meu dia-a-dia, a minha paixão. O rótulo de treinador “obscurantista” acompanha-o há décadas. Mas ele recusa a etiqueta: Muitos pensam que recorro à feitiçaria ou superstição, mas a verdade é que o que faço é trabalhar psicologicamente os jogadores e até os adversários. Isso intimida, sim, mas os resultados vêm do esforço e da entrega”, disse em entrevista exclusiva, em tom firme, mas sempre sereno.
Para Abdul Omar, voltar a Vilankulo não é apenas um capítulo desportivo. É quase um reencontro espiritual. “Casei aqui, construí aqui a minha vida. Hoje volto a liderar uma equipa com jovens que me respeitam e que me obedecem. Estou feliz, porque sinto que posso devolver ao futebol da minha terra tudo o que ele me deu”.
Na mesma linha, reconhece o papel de outros mestres: “aprendo muito com colegas como “mister” Chiquinho Conde, Semedo e o professor Abdul Abdulá. Faço consultas e observo treinos de outras equipas. O futebol é moderno, é investigação e é evolução constante”.


