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Joao chissano
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REPORTAGEM

TRINTA E NOVE “CHICOTADAS” NO MOÇAMBOLA NAS ÚLTIMAS CINCO ÉPOCAS

No futebol moçambicano, o banco técnico não é um lugar de repouso. Muitas vezes é um assento temporário, movido pela ansiedade dos dirigentes e pela impaciência pelos bons resultados. As épocas passam, os clubes mudam, mas a coreografia repete-se: uma sequência de “chicotadas psicológicas” que transforma treinadores em passageiros frequentes da incerteza. Entre 2021 e 2025, a rotatividade atingiu níveis que levantam uma pergunta inevitável: troca-se mais de treinador do que se constroem equipas?

No período em alusão registou-se um nível alto de rotatividade nos bancos técnicos, confirmando uma tendência que já se vem acentuando. Pelo menos 39 treinadores foram despedidos até aqui, o que corresponde a uma média de 7,8 técnicos afastados por época, um número elevado para um campeonato em ascensão.

Este número evidencia instabilidade que atravessa clubes históricos, emergentes e candidatos ao título, sugerindo dificuldades persistentes na consolidação de projectos desportivos de médio e longo prazo. Mais do que decisões isoladas, os despedimentos reflectem um ambiente competitivo marcado por pressão imediata por resultados, limitações financeiras e fragilidades institucionais.

O cenário não se distribui de maneira uniforme. Alguns clubes destacam-se pela frequência com que alteraram os seus comandos técnicos ao longo das cinco épocas analisadas.

A presença recorrente destes clubes nas listas de despedimentos indica que a rotatividade não está exclusivamente associada a maus resultados desportivos, mas também a factores como alterações nas direcções, dificuldades salariais e redefinições constantes de objectivos competitivos.

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