Aos 30 anos, Neusa Artez de Castro já aprendeu que no xadrez, tal como na vida, cada movimento conta. A jogadora moçambicana, que começou a “usar” os tabuleiros quase por imposição do pai, que era professor de educação física e estava ligado à modalidade, transformou uma obrigação de infância numa paixão que hoje ocupa grande parte da sua rotina e lhe rende conquistas dentro e fora do país.
O mais recente capítulo da sua história foi escrito no Open BCI de Xadrez, competição onde voltou a mostrar seu poderio ao conquistar o título, numa prova que reuniu alguns dos melhores jogadores nacionais e participantes estrangeiros.
“Isso mostra que o meu xadrez tem evoluído. Não está parado, não está estagnado”, explica Neusa, que considera a conquista um sinal de crescimento, apesar de reconhecer que ainda há um longo caminho pela frente.
A vitória ganhou ainda mais significado pelo momento em que aconteceu. Um mês antes, a atleta tinha participado no Campeonato Africano Individual, realizado em Botswana, onde o desempenho ficou aquém das expectativas. Entre vitórias e empate, saiu da competição consciente de que precisava melhorar.
“Eu não esperava ter uma prestação que me valesse o primeiro lugar. Foi uma surpresa positiva”, admite.
No tabuleiro, cada partida teve a sua própria história. Uma das mais difíceis foi contra Lídia, uma jovem jogadora de Maputo, num duelo onde Neusa teve dificuldades por não conhecer a adversária.
“Cometi um erro que me deixou em desvantagem posicional e material. Foi complicado vencer”, recorda.
Na última jornada, já com o primeiro lugar garantido, entrou mais tranquila. O empate foi suficiente para manter a invencibilidade, mas Neusa acredita que poderia ter ido mais longe.
“Eu tinha muitas chances de vencer, mas estava muito relaxada, apesar de poder forçar a vitória não quis fazer isso.” Para a atleta, competições como o Open BCI permitem competir com outra mentalidade. Diferente dos campeonatos nacionais, onde um resultado negativo pode influenciar numa convocatória para a selecção, nos torneios internacionais sente maior liberdade.
“Se eu perder, não tenho prejuízo. Se ganhar, tenho vantagens. Essa tranquilidade ajuda muito”, afirma.
























