Segunda-feira, 17 de Agosto, fica inevitavelmente gravado como um dos dias mais vergonhosos da história recente do futebol moçambicano, devido aos episódios que tiveram lugar no jogo entre o Ferroviário de Nacala e a Black Bulls, para a 15.ª jornada do Campeonato Nacional de Futebol-Moçambola-2026.
Naquele dia, a violência nos nossos recintos desportivos voltou a imperar e tudo o que aconteceu naquela tarde, que era de futebol e que se transformou em batalha campal com arremessos de pedras e outros objectos contundentes ao relvado por parte dos adeptos de Nacala, só revelou uma verdade dolorosa: os nossos campos são vulneráveis e a integridade física dos actores desportivos está em constante risco, sobretudo ao Norte do rio Zambeze, onde a violência é recorrente, mesmo em jogos a “feijões”.
Depois de Pemba, três dias antes, onde tudo foi amainado graças à forte presença policial, a violência, para não variar, voltou a Nacala, onde pelas imagens que o desafio teve acesso havia pouca Polícia, nenhum agente de segurança privada ou “steward”, num sinal claro de que a segurança foi claramente negligenciada, num campo cujo túnel é facilmente alcançável pelos adeptos, incluindo os zaragateiros.
E porque a violência é algo recorrente, mormente em Nacala, o nosso jornal procurou ouvir várias sensibilidades sobre o assunto, ouvindo gente que anda “mergulhada” no nosso fenómeno desportivo que, apesar de divergir nos pontos de vista, com uns a defender punições severas, outros a preferirem focar-se na prevenção, tem uma opinião em comum: o espectáculo desportivo em Moçambique não é levado a sério no que diz respeito à segurança.
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