É vez de dar voz às lendas vivas que se fizeram nos palcos de areia dos pelados do então SOBEC. São rostos que o mundo conheceu, nascidos de um sonho. Dário Monteiro, eleito o melhor jogador na primeira edição nacional (1990-91), realizada em Pemba, Cabo Delgado. Chaquir Bemat, capitão e melhor jogador pelo Alto-Maé, na primeira edição do SOBEC 1988/1989. Nonó, outra fera pelo Chamanculo. Miro e Dominguez, este último na fase em que o torneio passou a designar-se BEBEC. Todos dão a voz e clamam pela reactivação deste movimento.
Não o fazem por nostalgia, nem pela saudade de um tempo que já foi.
“Os momentos foram únicos. Nós somos dos rapazes que foram abrangidos pelo SOBEC. Na altura, havia convívio não só futebolístico, mas também o acompanhamento de claques de cada bairro, que iam aos campos, enchiam os rectângulos onde se realizavam os jogos. Era um movimento infantil, não eram apenas jogos de futebol”.
Dário lembra-se das bancadas cheias, do ruído e da pressão. Crianças de 12 anos a jogarem como se o mundo dependesse de cada pontapé. E o mundo, de certa forma, dependia.
“Quando os bairros começavam a defrontar para ver quem era o campeão da cidade de Maputo, no Estrela, os campos estavam apinhados de gente. Foi marcante para rapazes que tinham 12, 13 anos. Foi um torneio infanto-juvenil que marcou uma época do nosso futebol. Descobriram-se realmente muitos talentos que hoje acabaram por afirmar-se não só no futebol, mas em várias áreas do nosso país”.
Mas Dário é pragmático. Quando o SOBEC virou BEBEC, algo mudou. E não para melhor.
“A primeira grande transformação que existiu foi tirar a palavra SOBEC. Foi a empresa SOBEC que pensou, as pessoas pensaram isso e transformaram em BEBEC. E a partir desse momento o torneio não passou a ser a mesma coisa”.
Para o ex-“Mamba”, a solução é clara: voltar às origens, mas com estrutura.
“É muito importante procurar empresas ou uma empresa que se responsabilize pelo torneio. Eu acho que é a primeira transformação que tem de existir, porque se dependermos do movimento só por si, vão acontecer os torneios, mas não vão ter a magnitude que o torneio teve”.

