Não preciso ser futurologista para afirmar que o Ferroviário de Maputo não tem estofo de campeão. Aliás, não o tem já há vários anos.
Decidiu-se por não investir na equipa principal com a justificação de que os esforços estavam todos concentrados na reabilitação do Estádio da Machava, hoje, Estádio da Independência. Parafraseando o finado Boavida Funjua é “desculpa de lana caprina”.
Na verdade, o “ndzenguele” está fraco, murcho e “xanissecado” por falta de vontade de o colocar em patamar merecido.
O desporto, sobretudo esta modalidade, não tem sido prioridade para algumas pessoas que dirigem o clube, presentemente, a ponto de preferir uma cerimónia de xiguiane, ou de outra índole festiva no lugar de acompanhar, de perto, um jogo da sua equipa, como tem sido apanágio em outras paragens e assim, sujeitando-se a relatório deste ou daquele fulano, sem o mínimo de perspectiva para uma análise própria de quem dirige um clube profissional. Ou seja, o Ferroviário ignora o princípio de que “a presença do dono engorda o gado”. É o cúmulo da degeneração da estrutura desportiva “locomotiva”.
Nos últimos anos, temos assistido a mudanças sistemáticas de treinadores. No entanto, os dirigentes, muitos deles tidos como “provedores do fosso competitivo” mantém-se intactos, perpetuando mediocridade, alimentada por contratações de jogadores e treinadores sem critério que alicercem a estabilidade das ambições do clube.
Estranhamente, o nível de jogadores dispensados (entre os que não renovavam ou rescindem os contratados) chega a ser melhor que os novos contratados.
Os treinadores, sobretudo estrangeiros, são de qualidade reconhecidamente duvidosa. Entretanto, os maus resultados ajudam a decifrar a incompetência e a pressão da massa associativa dá sempre a pouca ou nenhuma margem para resistir à “chicotada psicológica”.
Recentemente, o Ferroviário de Maputo, como não acontecia há alguns anos, perdeu a corrida à concorrência na contratação de jogadores para clubes de menor dimensão (atendendo que o Ferroviário de Maputo é o “pai” de outros “locomotivas” do país, arrolo-os neste imbróglio).

















