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Nalguns casos, os homens do apito tiveram de ser escoltados por forças especiais, pois os simples polícias destacados para cada jogo são, muitas vezes, insuficientes para conter os adeptos enfurecidos
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QUEM VELA PELA SEGURANÇA DOS ÁRBITROS?

NOS últimos anos, tem-se falado muito da segurança nos recintos desportivos no nosso país, com vista à protecção dos jogadores, treinadores, pessoal de apoio, público, entre outros, mas poucas vezes se tem abordado a situação dos árbitros.

Pelo país adentro são muitos os episódios em que os árbitros são agredidos ou quase violentados, quer nos campeonatos das divisões secundárias, quer nos de formação, assim como na alta-competição, onde se registam mais casos.

À luz vêm as cenas registadas há alguns anos em Pemba, Chimoio, para além das que frequentemente são assistidas em Nacala.

Em todas que citámos, os homens do apito tiveram de ser escoltados, nalguns casos por forças especiais, pois os simples polícias destacados para cada jogo são, muitas vezes, insuficientes para conter os adeptos enfurecidos em campos como “Municipal” de Pemba, Soalpo ou Nacala, onde a lotação é sempre esgotada, seja em jogos do Moçambola ou de divisões secundárias.

Este apontamento vem a propósito do que se verificou no Tchumene, último domingo, após o jogo entre a Black Bulls e o Baía de Pemba, que terminou com a vitória dos da casa por 1-0.

Inconformado com o resultado e, provavelmente, com uma decisão pretensamente errada da equipa da arbitragem encabeçada por Filimão Correia, o director desportivo da equipa de Pemba, Munir Satar, tentou partir para a violência.

Dirigiu todo o tipo de impropérios ao quarteto da arbitragem e, à medida que este descia para os balneários, os nervos do dirigente subiam à flor da pele e quase agredia Filimão Correia e seus pares, não fosse a pronta intervenção do delegado da Liga Moçambicana de Futebol (LMF), do assessor dos árbitros e também do director desportivo da Black Bulls, Dino Dulá, com a ajuda de um ou dois polícias, que intervieram prontamente para impedir o pior.

Aquele espectáculo gratuito junto ao túnel de acesso aos balneários levou cerca de cinco minutos, mas o que fica na nossa retina é a vulnerabilidade dos homens do apito, num Moçambola que se joga mais por fora do que dentro do campo. É que por força desse poder do jogo de bastidores, os árbitros são alvo de constante escrutínio, muitas suspeições, estando sempre na mira dos dirigentes, treinadores e, sobretudo, dos adeptos, sendo os mais inseguros dentre as três equipas imprescindíveis para a realização de um jogo de futebol.

A LMF, a Federação Moçambicana de Futebol, os Ministérios da Juventude e Desportos e do Interior, para além dos próprios clubes, devem mudar de postura e passarem a colocar a segurança, mormente dos árbitros, como algo sério e sensível. É que pelo andar da “carruagem” isto pode, um dia, não é nosso desejo, terminar de forma trágica, até porque o Moçambola está aos poucos a caminhar em direcção à sua fase decisiva.

Mais, não disse.

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