Os “Mambas” fizeram com que milhões de moçambicanos chegassem a pensar que era possível tornar realidade um daqueles sonhos que parecem ser irrealizáveis, afinal, chegar ao “Mundial” para um país que ainda procura sedimentar-se no concerto das nações africanas parecia algo impensável, quando, a 16 de Novembro de 2023, Moçambique foi a Francistown dar o pontapé de saída para a corrida a mais prestigiante competição de futebol do mundo.
A vitória sobre a selecção da casa, o Botswana, por 3-2, foi , como é natural, celebrada com toda pompa e circunstância, mas sem que se alimentasse qualquer tipo de sonho no respeitante à disputa por uma vaga, até porque na ronda seguinte, a 19 de Novembro, no Estádio Nacional do Zimpeto, os ânimos serenaram com a derrota diante da Argélia por 2-0.
Na terceira jornada, a Selecção Nacional teve em casa a possibilidade de fazer as pazes com os seus adeptos, e cumpriu. Venceu a Somália por 2-1 e voltou a colar-se à Argélia no topo, que perdera em casa frente à Guiné Conacri pelo mesmo resultado. Deixando-se levar pela emoção, o povo voltou a celebrar com maior euforia - própria de adepto apaixonado e emocionado - até porque se começava a questionar: “Afinal esta Argélia não é assim tão forte?”
Nas jornadas seguintes (quarta e quinta), aí sim, o povo começou a acreditar num inédito apuramento ao Campeonato do Mundo. Os triunfos fora, diante da Guiné (jogou em casa emprestada no Marrocos), por 1-0, e no Egipto, onde recebeu o Uganda por interdição do Zimpeto, por 3-1, fizeram acreditar que era possível.
Contra todas as previsões, o combinado nacional terminou com 12 pontos, em igualdade com a Argélia no primeiro lugar. Havia motivos para sonhar!
A segunda volta iniciou com uma difícil deslocação ao reduto argelino. Apesar do desaire na primeira volta, a exibição tinha sido positiva e dava para pensar em amealhar pontos. Colocámos a fasquia muito alta. Os jogadores acusaram a responsabilidade, a exigência. A excelente primeira fase da campanha colocou-lhes essa pressão, que acabou funcionando ao contrário. A tranquilidade deu lugar ao nervosismo, a ansiedade e os comandados de Chiquinho Conde foram copiosamente derrotados por 5-1 e na ronda seguinte a euforia deu lugar à tristeza, com um novo desaire com o Uganda por 4-0. A partir daí, a possibilidade de apurar-se ao “Mundial” de forma directa (primeiro classificado) caiu praticamente por terra, mas o sonho não estava completamente perdido, visto que havia fortes possibilidades de se apurar como segundos classificados. O triunfo frente ao Botswana, no Zimpeto, por 2-0, serviu para consolidar o objectivo. Mas era preciso vencer, primeiro, a Guiné Conacri e, depois, a Somália nas duas últimas jornadas. Acontece que a turma nacional viu goradas todas as chances de avançar para os “play-off” como um dos segundos melhores classificados, ao perder em casa diante da Guiné, por 2-1. O sonho que ao fim da primeira volta parecia estar tão perto, foi ficando tão longe no decorrer da segunda volta, na qual Moçambique acabou fazendo metade dos pontos da primeira ronda (apenas 6, contra 12).
A vitória, na derradeira jornada, ante a frágil Somália serviu apenas para agarrar o terceiro lugar e terminar empatado na pontuação (18 com o Uganda) e sete da Argélia, que fechou a campanha com 25.
No final fica mesmo a impressão de que perdemos a hipótese de seguir pelo menos para os “play-off” no detalhe. Momentos de desatenção; falta de concentração e até a falta de soluções para permitir ao “mister” rodar com maior qualidade a sua equipa acabaram ditando um desfecho amargo, mas que mesmo assim serve de aprendizado e abre boas perspectivas para o que aí vem. Afinal, nunca antes a equipa nacional tinha chegado aos 18 pontos numa fase de grupos, seja de apuramento ao “Mundial” ou até mesmo para um CAN. Mais do que isso, nunca antes o país tinha estado a lutar até às últimas rondas por uma vaga na mais grandiosa prova futebolística do mundo.


