Os episódios vividos pela Associação Black Bulls (ABB) e Ferroviário de Maputo nas Afrotaças convidam os clubes moçambicanos e as estruturas máximas do futebol do país a uma reflexão sobre que estratégias devem ser adoptadas para evitar que continuem a ser vítimas de injustiças e hostilidades, que resultam do jogo de bastidores, à volta da organização destas competições e que acabam influenciando os resultados em campo e a verdade desportiva.
Sem querer tirar o mérito dos adversários da Black Bulls e do Ferroviário de Maputo na decisiva eliminatória de acesso à Fase de Grupos da Liga dos Campeões Africanos e Taça CAF, respectivamente, o Rivers United, da Nigéria, e AS Otohô, do Congo, há questões marginais que os clubes nacionais nas Afrotaças devem dominar ou controlar, sobretudo com o apoio da Federação Moçambicana de Futebol (FMF).
Essas questões envolvem desde a estrutura organizativa das Afrotaças, os responsáveis pela marcação e monitorização dos jogos, nomeação e fiscalização das equipas de arbitragem, entre outros intervenientes.
HOSPITALIDADE FARSADA
No caso do Ferroviário, o ambiente aparentemente hospitaleiro e amigável que desenrolou antes do jogo em Brazzaville se tornou, segundo o presidente do Ferroviário, Ório Benzane, num cenário hostil nas vésperas do arranque da partida e no seu decurso, sem colocar de lado a superioridade do adversário, que ganhou a eliminatória por 3-0 (1-0 em Maputo e 2-0 no Congo).
“Vivemos uma experiência amarga e diferente em Brazzaville, porque já participámos também nestes jogos aqui na zona Austral e não nos aconteceu a mesma coisa”, lamentou Benzane, dando bons exemplos por si vividos quando era também presidente do Ferroviário de Nampula, que participou sem mágoas nas fases preliminares da Liga dos Campeões Africanos, contra o Simba, da Tanzania, em 2005, e Taça CAF, frente ao Bidvest Wits, da África do Sul, em 2004, e Highlanders do Zimbabwe, em 2008, respectivamente.


