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A camisola 10 passou de Sitoe a Chiquinho, deste para Dário e depois para Clésio, e hoje encontra em Geny Catamo, o primeiro moçambicano a marcar dois golos num único CAN - já leva três no total - o seu novo intérprete.
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A HERANÇA DO 10 NOS OMBROS DE GENY!

No futebol, os números não são todos iguais. Alguns servem para ordenar posições em campo; outros, mais raros, servem para contar histórias. A camisola 10 pertence a essa última categoria. Ao longo de décadas deixou de ser apenas um algarismo para se tornar símbolo, linguagem e responsabilidade. No futebol — e particularmente nas selecções nacionais — a camisola 10 representa continuidade, identidade e liderança. É o número que liga gerações e traduz o talento de um país em campo.

A mística do 10 construiu-se à escala planetária. É para os senhores do futebol. Sim, senhores do futebol. Edson Arantes de Nascimento, simplesmente Rei Pelé, elevou-o a património universal; Armando Diego Maradona transformou-o em arte e rebeldia; Zico, Platini, Zidane, Ronaldinho por hoje é símbolo de Messi, o jogador com mais bolas de ouro conquistadas, que deu-lhe diferentes expressões, mas a mesma essência: o jogo passa por aqui. Mesmo em contextos tradicionalmente mais pragmáticos, como o da Selecção italiana, a camisola 10 nunca foi decorativa. De Gianni Rivera a Roberto Baggio e de Del Piero a Totti, o número esteve sempre reservado aos pensadores do jogo, aos craques que davam identidade à equipa.

Em Moçambique, nos bairros como Chamanculo, Mafalala, Ximpanine, Aeroporto e tantos outros espalhados por este vasto território, a camisola 10 tornou-se o emblema do sonho. É o número que inspira os miúdos que jogam com bolas feitas de plásticos e panos — os “xingufos” — e que imaginam um futuro que começa quase sempre sem promessas, mas com paixão.

Não fugindo à regra, a camisola 10 não se escolhe por acaso. Reconhece percursos, certifica talentos e liga o passado, presente e futuro. Em Moçambique, passou de Sitoe a Chiquinho, deste para Dário e depois para Clésio, e hoje encontra em Geny Catamo, o primeiro moçambicano a marcar dois golos num único CAN - já leva três no total - o seu novo intérprete. Mais do que um número, é uma metáfora de continuidade nacional. Uma camisola que carrega história — e aponta o caminho.

Geny Catamo assumiu, no início da época de 2025, a camisola 10 que pertencia a Edwards, num gesto de confiança do Sporting, que foi o culminar de um sonho de infância tornado real.

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