Das ilhas vulcânicas dos Açores às cordilheiras do Atlas, Diogo Calila foi realizar um sonho, disputando o CAN-2025, em Marrocos, aquele que chama de “momento mais alto da minha carreira”.
Naturalizado moçambicano em Julho de 2025 e com direito a estreia em Setembro contra o Uganda, numa partida referente à qualificação para o “Mundial-2026, Diogo Calila chegou e assumiu o estatuto de dono da ala-direita no sector defensivo. Tudo aconteceu muito rápido para o defesa do Santa Clara, de 27 anos, pois num espaço de quatro meses, sem muito tempo para se adaptar a um nova realidade, assimilar um novo estilo de jogo, viu-se a disputar um CAN, a prova mais elevada e com maior exigência do futebol africano, na qual só os mais privilegiados têm a oportunidade de se fazerem presentes, sendo que, por vezes, o fundamental não é apenas ser bom executante.
Calila estreou-se na selecção a 5 de Setembro (Uganda); a 24 de Dezembro esteve no CAN (Costa do Marfim) e a 28 do mesmo mês (Gabão). Marcou pela primeira vez com a camisola de Moçambique, um momento entusiasmante e indelével na sua memória. Por estas razões, em entrevista ao desafio declarou-se ainda estar nas “nuvens”.
- Disputar uma prova com a importância de um CAN é um sonho para qualquer jogador profissional africano. Arrisco-me até a dizer que foi o momento mais alto da minha carreira até agora. Foi um misto de emoções fortes vividas, desde o orgulho de representar Moçambique até à responsabilidade de competir ao mais alto nível e conseguir alcançar o esperado por todos, a qualificação para os “oitavos”. Foi um momento único que quero levá-lo comigo para sempre, reagiu bastante emocionado.
ACREDITAVA QUE ÍAMOS FAZER HISTÓRIA
Nascido em Seixal a 10 de Outubro de 1998, conta que sempre teve a convicção de que seria desta vez que o povo moçambicano iria celebrar a primeira vitória num CAN.
- Muito antes do jogo acreditava que íamos conseguir fazer história, alcançando a primeira vitória de sempre numa fase final do CAN. E quando fiz o golo fiquei mais convicto de que o desejo estava perto de se realizar. Tocou-me o coração, de tal forma que deu para se notar pelo meu festejo. Senti toda a força de um país dentro de mim, naquele momento.
Questionado sobre se acredita que os “Mambas” poderiam ter feito mais no CAN, Calila deixou claro que a despeito do ocorrido no jogo com a Nigéria o grupo deixou o CAN com o sentido de dever cumprido.
- O conjunto de combinações dos jogos poderia ter sido mais favorável para nós, e defrontar a Nigéria com toda a qualidade dos seus jogadores é sempre muito difícil. Naquele dia tivemos alguns jogadores, eu incluso, que não estavam a 100 por cento, fisicamente, e quando assim é torna-se mais difícil. Foram três jogos num curto espaço de tempo, o que provoca um desgaste enorme nos jogadores. A nossa selecção teve de deslocar-se de um ponto ao outro, conferindo maior vantagem a uma equipa que sempre esteve na mesma cidade. Agora, tudo faz parte do passado. Tudo ficou para trás e serviu de experiência. O que importa realçar é a evolução positiva que a selecção apresenta hoje, além da prestação honrosa na prova.


