O futebol continua a crescer em Moçambique, mas nem sempre de forma estruturada. Entre desafios de profissionalização e a paixão que move milhares de jovens, há protagonistas que trabalham longe das luzes, mas cujo impacto é decisivo.
Nos bastidores do futebol moçambicano há um nome que faz a diferença. Neves Júlio Pedro Limpo Júnior, 29 anos, natural da Matola, é um desses nomes. Treinador, analista de vídeo e “scout”, tornou-se uma referência no “backstage” (bastidores) do futebol nacional, contribuindo de forma consistente para a evolução do jogo e da formação de jogadores no país. O seu percurso, apesar de ainda jovem, já é marcado por títulos, conquistas e uma visão muito própria sobre o futebol.
Como muitos rapazes, Neves sonhou primeiro em ser jogador. Mas cedo percebeu que o seu talento não o colocava entre os melhores da sua geração. A decisão foi dura.
“Desisti do futebol durante 11 anos. Nem queria jogar, mas havia sempre um bichinho dentro de mim a chamar-me de volta”.
A resposta surgiu de forma clara: se não podia brilhar dentro das quatro linhas, podia fazer a diferença fora delas.
“Se não podia ser jogador, a melhor segunda opção era ser treinador. Queria continuar ligado ao futebol, porque era a minha paixão”.
O percurso começou de forma modesta, entre torneios universitários e campeonatos de bairro, como o Bebec. Ambientes informais, mas fundamentais na sua formação.
“Muita gente podia ver aquilo como tempo perdido. Para mim, era aprendizagem. Cada dia ali tornava-me melhor”.
O trabalho com crianças revelou-se uma verdadeira escola. “Treinar crianças é muito exigente, são inquietas e obrigam-nos a ser criativos. Na universidade também liderei grupos mais velhos do que eu, outro grande desafio”.
A consolidação surgiu no ano passado, com a conquista do Torneio de Abertura da Cidade de Maputo à frente da equipa de iniciados da ABB, onde assumiu a coordenação técnica. Actualmente é treinador da equipa “B” da Black Bulls e assumiu recentemente o cargo de técnico principal, substituindo Hassane Jr., com o apoio de Gerassimo Macurra e Mustake Idrissa.
Paralelamente, integra o “staff” técnico da Selecção Nacional. Nos bastidores, o seu trabalho tem contribuído para momentos históricos dos “Mambas”, ajudando a equipa a crescer em organização, leitura de jogo e preparação estratégica.


