O homem que temos à nossa frente chama-se Francisco Augusto Conjo. Criado no Matchedje de Maputo, este valioso esquerdino ficou naquela casa durante oito épocas e quando chegou aos seniores conquistou dois campeonatos (1987 e 1990), bem como uma Taça de Moçambique, em 1990.
O seu primeiro título foi-lhe muito marcante, nas mãos do russo Viktor Bondarenko, um treinador que muito admira pelos seus métodos de treinamento: “ele era um treinador rigoroso, que fez de nós uns autênticos cavalos”.
Transferiu-se em 1995 para o Ferroviário de Maputo, onde voltou a brilhar: conquistou dois campeonatos nacionais, o primeiro em 1996 e o outro no ano seguinte, nas mãos de Arnaldo Salvado, com quem fez aquela brilhante campanha na Liga dos Campeões Africanos de 1997, em que o clube apurou-se à fase de grupos.
Aos 32 anos de idade, já em finais de carreira, transferiu-se para o Maxaquene, mas a sua época e meia no clube tricolor foi para esquecer. Foi como se nunca estivesse estado ali, como o próprio advoga, daí que tenha esboçado o fim da carreira, que ocorre no Ferroviário das Mahotas, no início da década 2000.
O nosso entrevistado nasceu em Maputo, aos 31 de Julho de 1966, numa família de 10 irmãos, frutos de duas mulheres que o seu pai teve. O primeiro era o falecido Orlando Conjo. Depois vêm Domingos (falecido), Berta, Carlos (falecido), Lázaro (falecido), José, Luís (falecido), Rui e a caçula Laura.
É uma família que comporta figuras que se destacaram no futebol, pois o seu irmão mais velho, Orlando Conjo, foi um dos primeiros guarda-redes do Matchedje de Maputo. Depois, há que salientar que Francisco é tio do ex-internacional Martins Mucuana, vulgarmente conhecido por Paíto, que hoje ocupa o cargo de vice-presidente da Federação Moçambicana de Futebol (FMF).
“Nasci no Hospital Miguel Bombarda, hoje Hospital Central de Maputo. Na altura, os meus pais viviam na Machava e é lá onde vivo até hoje. É lá onde o vício de futebol começou, porque a principal brincadeira dos meninos da zona era mais futebol que outra coisa. Nas férias escolares não nos cansávamos de correr atrás da bola. Lembro-me de que jogávamos das sete às 17.00 horas. Era incrível”.


