O jogo da Supertaça Nacional-Mário Esteves Coluna-, agendado para a noite de sábado, no Complexo Desportivo de Tchumene, opondo a União Desportiva do Songo e a Black Bulls, marca oficialmente a abertura da época futebolística-2026.
Não é especificamente deste jogo que nós queremos debruçar, mas aproveitamos estas linhas para desejar boa sorte aos contendores, por sinal os dois clubes mais badalados da actualidade no nosso futebol, pelo que vença o melhor no Tchumene.
A noite de sábado irá marcar o início de um longo percurso, muita bola pelo país adentro, com destaque para o Campeonato Nacional de Futebol-Moçambola-2026, que deverá arrancar a 28 deste mês ou uma semana depois, 4 de Abril.
O nosso anseio é que neste 2026 o nosso futebol e os nossos campos sejam espaços de adrenalina, espectáculo, “fair-play”, isto é, de convivência pacífica entre gentes de diferentes origens, etnias, cores e perspectivas, até porque o desporto é um ponto de união de tudo aquilo que, por algum motivo, é diferente.
A bola não tem língua, etnia, raça ou condição social. Ela é um ponto de convergência, é coisa mágica, capaz de unir povos e nações outrora desavindos.
No caso de Moçambique, o futebol, sobretudo o Moçambola, é tido como um instrumento aglutinador e de unidade nacional.
Para que o nosso futebol, o Moçambola em particular, cumpra esse desiderato, é preciso que seja mais disputado dentro das quatro linhas do que fora delas. É necessário que o espectáculo seja proporcionado pelos atletas, não pelos treinadores, dirigentes e muito menos pelos árbitros.
Neste 2026 esperamos ter poucos casos de arbitragem, jogos com campos inclinados e, acima de tudo, almejamos ver os perdedores a reconhecerem as vitórias dos adversários, até porque, como diz a máxima desportiva, um verdadeiro campeão mostra-se na derrota.
As entrevistas pós-jogo que sejam espaços onde os treinadores comentem sobre aquilo que deu certo e errado na táctica e estratégia desenhadas, e que não se transformem em “muro das lamentações”, em palcos de insultos, acusações ou suspeições aos árbitros e adversários.
Para isso, os “homens de apito” devem ser aqueles actores isentos, que deixam o palco para os 22 protagonistas, isto é, os 11 jogadores escalados em cada uma das equipas. Que seja um ano em que finalmente o árbitro é aquele actor discreto, que passa despercebido, sem qualquer influência no resultado das partidas.
Essas virtudes requerem alguma capacidade de sacrifício, como resistência e até denúncias às tentações e outros desejos da carne.
Só assim é que se irá evitar cenas de violência e agressões nos nossos campos.
O nosso futebol deve deixar de ser intensamente disputado nos bastidores, transferindo-se toda essa intensidade para o campo, pois é para isso que o adepto paga o bilhete.
E quando isso acontecer, todos sairemos a ganhar, desde atletas, treinadores, árbitros, clubes, comunicação social e as entidades organizadoras do nosso futebol a vários níveis, pois todos gostam de se juntarem a produtos atractivos, valiosos e com boa reputação na praça.
A mudança de atitude começa agora, e todos nós somos convidados a embarcar rumo à melhoria do nosso futebol.
Os clubes devem parar de tentar os árbitros. Os árbitros são desafiados a resistir às tentações. A Comissão Nacional de Árbitros de Futebol, a vários níveis, é também chamada a cumprir cabalmente as suas obrigações para com os árbitros.
É difícil resistir à tentação quando as ajudas de custos e subsídios aos árbitros chegam a demorar meio ano ou mais tempo que isso. Como é que se vira, por exemplo, um árbitro que viaja para uma província sem ajudas de custos?
Somos todos desafiados a melhorar, e essa melhoria deve ser em bloco, isto é, tem de abranger todos os actores em simultâneo.
Foram nossas ilações, depois de muitas cogitações.



