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UMA ÉPOCA QUE, INFELIZMENTE, DEVERÁ FICAR ENTREABERTA!

A semana que ontem iniciou será marcada pela realização, a partir de amanhã até sábado, da “Final-Four” da Taça de Moçambique, em Xai-Xai, envolvendo o Ferroviário de Maputo, a Associação Black Bulls, União Desportiva do Songo e o Desportivo de Nacala.

É o culminar da segunda maior e mais importante prova do nosso calendário futebolístico, cujo vencedor ganha acesso directo às eliminatórias de acesso à taça da Confederação Africana de Futebol (Taça CAF).

A final da Taça de Moçambique marca geralmente o término oficial da época no nosso país, sabido que esta começa no mês de Dezembro de um ano e termina em Dezembro do outro. A presente temporada, por exemplo, arrancou a 21 de Dezembro de 2024 e termina oficialmente a 20 de Dezembro corrente.

Assim, o próximo sábado, 13 de Dezembro, seria o dia do último jogo oficial da época, restando uma semana para a resolução de possíveis pendentes administrativos e legais, antes do fecho das portas da secretaria da Federação Moçambicana de Futebol (FMF).

Infelizmente, este ano não será assim. Há ainda três jornadas do Campeonato Nacional de Futebol por disputar, e a partir da próxima segunda-feira a Selecção Nacional de Futebol entra em estágio tendo em vista a sua participação na Taça das Nações Africanas (CAN-2025), que irá decorrer de 21 de Dezembro deste ano a 18 de Janeiro de 2026, no Marrocos.

Em outras palavras, está mais que claro que a temporada ficará entreaberta sem se saber ao certo quando é que será concluída. O Moçambola-2025 só deverá terminar em 2026, mas sem datas específicas.

O problema central não é apenas a sobreposição de agenda, é financeiro. A Liga Moçambicana de Futebol (LMF) não tem dinheiro para viabilizar o transporte aéreo das equipas, optando por fazer o campeonato de forma paliativa, com jogos entre equipas de regiões ou cidades próximas, sem necessidade do transporte áereo, salvo raras excepções.

Este não é um problema novo, é de há anos, mas neste 2025 prestes a findar a questão ganhou particular destaque quando as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) decidiram que ninguém viajaria sem previamente pagar o preço do bilhete, sobretudo instituições com histórico de dívidas com a companhia, como é o caso da LMF.

Houve diligências, a vários níveis, para se colmatar a situação, tendo aparecido algumas empresas a apoiar financeiramente a LMF, mas esta tinha um “buraco” muito grande com a LAM e outros prestadores e fornecedores de serviços, o que fez com que as verbas conseguidas fossem insuficientes para levar o Moçambola até ao fim.

Clubes e a crítica desportiva, antes e durante do Moçambola, sugeriram, não raras vezes, a adopção do modelo regional que iria reduzir consideravelmente os custos operacionais da LMF, mas esta, através do seu presidente, Alberto Simango Jr., fez “finca-pé”, argumentando que conseguiria manter o actual modelo adoptado há cerca de 25 anos.

A convicçao de Simango não encontra eco no terreno onde a situação é deveras preocupante, desoladora, para ser mais claro. Os clubes estão a somar enormes prejuízos com o pagamento de salários e outras despesas corrente, como manter os os plantéis nos lares, enquanto competem esporadicamente.

O Moçambola-2025 tem sido atípico, com jogos quase todos os dias, em certos momentos, e com enormes vazios competitivos, noutros.

A maioria dos clubes tinha contratos com os jogadores e as respectivas equipas técnica até 30 de  Novembro, pois geralmente em Dezembro não há futebol, ou seja, os atletas estão de férias, mas no caso deste ano são obrigados a estenderem os vínculos e com uma incerteza: até quando?

E se a época 2025 está ser atribulada, o que se pode projectar de 2026? Seja como, esperamos que a LMF tenha, de uma vez por todas, aprendido com os erros, pois não se desafia a lógica.

No caso em concreto, a lógica é que a instituição é manifestamente incapaz em termos financeiros, ou seja, não tem dinheiro e nem parcerias robustas que lhe assegurem um Moçambola no actual modelo sem sobressaltos, sobretudo no quesito transporte aéreo, a pedra no sapato.

 É hora de mudar do modelo competitivo, até porque como diz o velho ditado, antes um passo para atrás do que dois em falso!

Foram nossas ilações, depois de muitas cogitações.

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