Ivo Tavares, enviado a Marrocos com apoio da JOGABETS

É difícil descrever a emoção que senti quando o árbitro tunisino, Mehrez Melki, deu por concluído o jogo entre Moçambique e Gabão. Estar ali naquele momento, naquela hora, a viver aquele momento único para história do futebol nacional foi um sonho que durante 39 anos milhões de moçambicanos foram alimentando, mas que sou no domingo, 28 de Dezembro, tornou-se realidade.
Deus quis que eu, em representação da Sociedade do Notícias, proprietário dos jornais Notícias, Desafio e Domingo, estivesse lá a viver e escrever esse episódio de ouro, na primeira oportunidade que tenho de ir cobrir a mais prestigiada e importante prova de futebol africano.
Não foi como jornalista que festejei a vitória, mas como qualquer outro cidadão moçambicano que estava ávido, há décadas, por testemunhar este marco histórico. Quando terminou o jogo, tal como os jogadores, eu também estava ofegante. É como se tivesse estado dentro das quatro linhas. É como se eu fosse o autor daquele pontapé de canto de Geny ou do cabeçada letal de Faisal Bangal. É como se tivesse vestido a pele de Witi naquela arrancada vertiginosa que culminou no golo do do Calila. É como se eu fosse o mais velho, Dominguez, naquele toque em habilidade só travado dentro da grande área por aquele puxão na camisola do gabonês já em desespero. Terminei o jogo quase a precisar de um balão de oxigénio, não porque andei aos “sprints”, como é óbvio até porque estava bem acomodado na área de imprensa, mas sim porque vivi cada lance com o mesmo entusiasmo, ajuntar a ansiedade de querer ver o homem do apito pôr fim ao encontro.
Os instantes finais foram uma eternidade. Dava impressão que o relógio estivesse parado. Os “Mambas” defendiam como podiam para conservar a vantagem mínima de 3-2.
O meu francês muito básico até saiu naquele momento. Gritei “Ces’t fini” (terminou), mas de certeza que o árbitro não ouviu. Estava eu bem distante do relvado. Confesso que nessa fase do jogo, a minha mão tremia de tanto nervosismo e ficou difícil tirar as últimas notas. Nunca tive tanta vontade de ouvir aquele som do apito só para dizer: fizemos história e que eu também faço parte desta linda e inapagável história!



