RUANDA prepara-se para entrar na história do automobilismo mundial ao garantir a realização do Grande Prémio de África da Fórmula-1, na sequência de um acordo de 10 anos com a organização da principal competição de monolugares. A prova deverá estrear-se no início da década de 2030, num circuito construído especialmente para o efeito em Bugesera, a cerca de 40 quilómetros a Sul de Kigali, junto ao novo aeroporto internacional da capital ruandesa.
O regresso da Fórmula-1 a África acontece mais de três décadas depois da última corrida no continente, disputada em 1993, na África do Sul. A iniciativa representa uma oportunidade para a modalidade alargar a sua presença num mercado considerado promissor, sobretudo, pelo potencial de crescimento entre os adeptos mais jovens.
Segundo um comunicado da Fórmula-1, o projecto resulta de vários anos de colaboração para assegurar as condições necessárias à organização de um Grande Prémio sustentável e de nível mundial, com benefícios duradouros para as próximas gerações.
O circuito será projectado pelo antigo piloto Alex Wurz e deverá integrar as características naturais da região, aproveitando as variações de altitude para criar um traçado exigente e proporcionar aos espectadores diferentes perspectivas da corrida.
Apesar do acordo, ainda não foi definida a data exacta da prova no calendário anual. A organização deverá considerar as condições meteorológicas, procurando evitar a principal época das chuvas, entre Março e Maio. O período mais curto de precipitação, entre Outubro e Novembro, também poderá influenciar a escolha. A Fórmula-1 pretende manter o calendário anual limitado a 24 corridas, pelo que a introdução do Grande Prémio de África poderá obrigar a ajustamentos na distribuição das provas.
O Presidente ruandês, Paul Kagame, classificou o acordo como um momento importante para o continente, destacando a possibilidade de mais de 100 milhões de adeptos africanos acompanharem a competição de perto. O governante defendeu ainda que o circuito e o novo aeroporto poderão impulsionar a criação de empregos, a formação profissional, o turismo e o desenvolvimento de negócios.
Por sua vez, Stefano Domenicali, presidente da Fórmula-1, considerou o entendimento histórico, sublinhando que o regresso a África exige um parceiro adequado, um compromisso de longo prazo e uma visão clara para produzir impacto significativo. Entretanto, o projecto poderá suscitar controvérsia, devido às críticas anteriores sobre a utilização do desporto por Ruanda para promover a sua imagem internacional. Ainda assim, a concretização da prova poderá reforçar a presença africana no automobilismo mundial e abrir novas oportunidades para o desenvolvimento da modalidade no continente. (BBC)

