O Ferroviário de Maputo, campeão em título, venceu o Costa do Sol por 44-28, no quarto jogo da final do “play-off” da Liga Nacional sénior feminina de basquetebol, empatando a série em 2-2, facto que levará a decisão à negra para encontrar o vencedor na decisão à melhor de cinco partidas.
O Costa do Sol entrou para este jogo vindo de duas vitórias consecutivas por 58-53 e 54-49, e, se vencesse, seria o novo campeão nacional, encerrando um ciclo triunfal do Ferroviário, que vem de três títulos consecutivos.
Ontem, as “canarinhas” encontraram um Ferroviário que fez lembrar aquela exibição do primeiro desafio, quando venceu por 69-39. É que, apesar de ter marcado menos pontos, voltou a impor-se, não dando espaço de ataque ao Costa do Sol, que, à excepção dos primeiros minutos, esteve muito aquém das expectativas. Shelsea Rafael, com um triplo, anotou os primeiros pontos, fazendo acreditar que as “canarinhas” estavam decididas a conquistar a Liga Sasol na noite de ontem e não queriam, de jeito nenhum, adiar a decisão para o quinto jogo.
Chegaram a abrir uma vantagem de 5-0. Mas, nestas grandes decisões, o papel do treinador é determinante. Apercebendo-se da apatia inicial das suas treinadas, o conceituado “coach”, Nazir Salé, pediu um “time-out” para corrigir o posicionamento das suas treinadas. A paragem para um minuto de conversa resultou, já que o Ferroviário “acordou”. Odélia Mafanela marcou o primeiro ponto através de um lançamento livre e abriu caminho para uma sequência de pontos das “locomotivas”, que deram a volta para 10-5. Carla Covane e Rosa Veloso também converteram. O primeiro período iria fechar com as “verde-e-brancas” na frente do marcador por dois pontos (10-8).
Os primeiros três minutos do segundo quarto foram marcados pela ineficácia de ambos os conjuntos. Nazir Salé, sempre muito interventivo, voltou a pedir um “time-out” para relembrar a receita às suas comandadas. O que o técnico disse não se sabe ao certo, mas estava a dar frutos, na medida em que o Ferroviário foi construindo uma margem folgada, chegando ao intervalo a vencer por 24-13, uma diferença de 11 pontos que tranquilizava a equipa para os próximos dois períodos.
Com 20 minutos por jogar, as treinadas de Paulo Sambo teriam que mudar a sua postura em campo para anularem essa mais de uma dezena de pontos. Em jogo estava o título, talvez por isso as “canarinhas” estivessem algo ansiosas, e isso foi notável no terceiro período. O nervosismo tomou conta. Até Ingvild Mucauro, uma atleta experiente, deixou fugir-lhe das mãos a bola quando seguia disparada para a tabela.
Começava a ficar claro que o dia não era do Costa do Sol e, com maior ou menor dificuldade, o Ferroviário iria ganhar, até porque estava melhor tanto da linha dos triplos como no jogo interior. Bruna Argélio fazia a diferença no jogo exterior, enquanto Stefânia Chiziane e Carla Covane dominaram nas tabelas.
O domínio reflectiu-se no avolumar do resultado para 36-21. Foi com uma margem de 15 pontos que as “locomotivas” avançaram para os derradeiros dez minutos. Só teriam que gerir a vantagem e foi com essa estratégia que se fizeram à quadra. Optaram por circular mais a bola e atacar a tabela só na certa. Em sete minutos, as duas equipas só tinham marcado três pontos. E com três minutos por jogar, o Ferroviário ganhava por 39-24. Apesar de ser possível a recuperação no basquetebol, pelo que era o desempenho do adversário não se fazia prever uma reviravolta.
A equipa “locomotiva” iria mesmo ganhar por 44-28, naquela que foi a partida com o menor número de pontos marcados nos quatro jogos.
À semelhança da final do Campeonato da Cidade, a decisão vai ao quinto jogo.

