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REPORTAGEM

MOÇAMBOLA AINDA SEM CASOS DE ARBITRAGEM APESAR DE QUEIXAS

Apesar de alguns pronunciamentos e reclamações contra a actuação da arbitragem no Moçambola-2026, a direcção da Liga Moçambicana de Futebol (LMF) disse que ainda não acusou a entrada de nenhuma queixa formal ou denúncia a respeito. A mesma informação foi reportada pela Comissão Nacional de Árbitros do Futebol (CNAF), que avançou, por outro lado, não ter identificado até ao momento nenhum árbitro envolvido em infracções que estejam relacionadas com actos de corrupção.      

Vários acontecimentos relacionados com arbitragens tendenciosas, alguns dos quais culminaram em violência e tumultos aconteceram ao longo das jornadas do Moçambola-2026, destacando-se os que se registaram em Nacala e Pemba, envolvendo, respectivamente, os adeptos dos clubes Ferroviário e Associação Desportiva locais. Esses casos já foram julgados e condenados pelos órgãos competentes da LMF.

Sobre os pronunciamentos de alguns treinadores, o Conselho de Disciplina da LMF (CDLMF) ouviu Artur Semedo, afastado recentemente do Baía de Pemba, e promete pronunciar-se em breve sobre o assunto.

A CNAF ainda não desencadeou uma acção em concreto para compreender as razões que estão à volta dos pronunciamentos e contestações contra a arbitragem, aguardando pela apresentação (submissão) de queixas ou expedientes formais acompanhados de provas. 

O presidente da CNAF, Francisco Machel, disse, sobre o assunto, que o órgão que dirige está a acompanhar e a monitorizar o trabalho dos árbitros. Questionado se havia algum trabalho em curso para se apurar até que ponto os pronunciamentos dos treinadores e os casos de violência associados à actuação da arbitragem podem ser considerados legítimos, Machel limitou-se a dizer que a LMF está em cima dos acontecimentos.

Numa entrevista concedida há meses ao desafio, Machel reconheceu, quando indagado até que ponto a qualidade da arbitragem pode ser garantida no Moçambola-2026 com o envolvimento de árbitros considerados inexperientes, que, de facto, era difícil numa altura que a LMF só garante apenas cinco passagens aéreas por cada jornada para os homens de apito ajuizar jogos sobretudo nas regiões Centro e Norte, devido a limitações de ordem logística. O normal, de acordo com o entrevistado, seriam 12 passagens.

“Isso nos permitiria usar menos os árbitros regionais ou locais, como estamos a fazer agora. Então, os cinco árbitros acabam sendo os mais experientes que se vão juntar aos locais. Como disse, temos, ao nível das zonas, árbitros experientes e há casos em que não precisamos de mandar, por exemplo, nenhum de Maputo”, referiu.

Os problemas logísticos fizeram disparar o número ideal que era de 60 árbitros, descritos como de elite, passando para 100, incluindo os menos experientes seleccionados na zona Centro.

“De facto, a entrada destes novos acaba influenciando o decurso do trabalho em si, porque o Moçambola tem muita pressão e, nalgum momento, esses árbitros que chamamos de juniores acabam não correspondendo às expectativas. Portanto, quanto mais o grupo de trabalho for restrito, permite melhor controlo. E, com este número elevado, perdemos o controlo em relação a esses árbitros”, reconheceu.

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