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“MATCHIKI VILLAGE” GEROU UM PREJUÍZO DE 22 MILHÕES

Entre 2009 e 2010 surgiu um ambicioso projecto imobiliário no Clube dos Desportos da Costa do Sol que era visto como uma luz para a sustentabilidade financeira daquela colectividade, mas volvidos poucos anos descobriu-se que o mesmo gerou um enorme buraco para o emblema da marginal da capital. 

Estamos a falar do projecto Matchiki Village, no qual o Costa do Sol participaria com os vastos espaços que o clube detinha para a construção de moradias de luxo, com o Banco Comercial e de Investimentos como financiador e o MMD Construções com empresa responsável pela execução do ambicioso parque imobiliário.

As contrapartidas eram claras: o Costa do Sol ganharia um complexo desportivo, composto por um novo estádio, centro de estágios, requalificação do pavilhão multi-uso e da piscina, para além de beneficiar de novos escritórios para o seu funcionamento técnico-administrativo.

Com uma lágrima no canto do olho, o presidente do Costa do Sol, Alberto Banze, conta ao desafio que desse projecto bonito e ambicioso o clube só saiu em prejuízo, com uma dívida de nada mais e nada menos que 22 milhões de meticais.

– “A perspectiva era rentabilizar os nossos espaços, onde ganharíamos um novo património desportivo e administrativo, mas o que aconteceu é que nada se rentabilizou, pelo contrário o Costa do Sol saiu com dívidas avultadas. São 22 milhões de meticais que estamos a dever ao BCI e à empresa construtora, MMD Construções, que é propriedade do filho do antigo PCA daquele banco à data dos factos”, elucidou.

Questionado como é que o Costa do Sol saiu endividado dum projecto em que era visto como uma lufada de ar fresco na sua tão ambicionada modernização o líder “canarinho” explicou:

– “O Costa do Sol entrou com os espaços que detinha, o BCI deu dinheiro e o mesmo era gerido pelo clube, pois detinha o título de propriedade dos terrenos e contratou-se uma empresa construtora para executar as obras. Só que não surgiram as infra-estruturas esperadas. Os espaços foram vendidos, o clube perdeu. As casas foram construídas e não acabadas e a construtora ficou com valores por receber, no caso 22 milhões. Quem deve arcar com isso é o Costa do Sol, que recebeu dinheiro do BCI para fazer um parque imobiliário que nunca se fez. Assim estamos endividados e nada ganhámos”, lamentou.

DÍVIDA EM AMORTIZAÇÃO

Alberto Banze adiantou que, sem muitas saídas, o Costa do Sol até já está a amortizar a dívida junto do empreiteiro, uma situação que sufoca as contas do clube.

– “Estamos a amortizar paulatinamente a dívida. Assim, sempre que sentimos algum conforto nas nossas contas alocamos uma parte do dinheiro no pagamento dessa dívida. Não temos como contornar isso, até porque já houve acordos judiciais em que o Costa do Sol está comprometido, pelo que o não cumprimento desta obrigação pode nos custar a execução”, continuou.

Explicou que o fardo sobra para os “canarinhos”, pois eram detentores da titularidade do projecto Matchiki Village, do qual ganhariam novas infra-estruturas.

– “É um ganho que não seria pouco, reconhecemos isso, mas para o nosso azar só ficámos com dívidas que têm impactado negativamente no nosso dia-a-dia como clube”, deplora.

Alberto Banze conta que recentemente o Costa do Sol pagou uma tranche de seis milhões de meticais no âmbito da amortização da dívida.

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