O seleccionador nacional, Nasir Salé, deixou claros sinais de ambição ao lembrar que, em quase 50 anos de participação no Afrobasket, o país continua a ter uma palavra a dizer na competição, justificando, segundo o técnico, a repescagem feita pela FIBA-África depois de falhar a qualificação no passado mês de Fevereiro, perdendo para Angola por uma diferença de um ponto (109-108) no agregado dos dois jogos disputados em Luanda.
Na sua primeira intervenção, após o seu regresso ao comando técnico da selecção feminina, o técnico não abordou a fundo o próximo Afrobasket e nem tão pouco revelou o plano de preparação a adoptar.
“Moçambique vai jogar um Afrobasket com o rigor que nos levou a chegar a este entendimento com a FMB. Estou convencido que vamos participar condignamente e honrar o bom nome do nosso país e este momento que é acompanhado por jogadoras com muita vontade e cariz”, assumiu Nasir Salé, que reconheceu ter aceite o convite para regressar a dirigir a equipa nacional por acreditar na direcção da FMB, no projecto e na equipa.
“Acredito que poderemos fazer diferente mas, como tenho defendido, tudo parte por haver um investimento e vontade de dignificar o país. É preciso pensar positivo e pensar e ter certeza de que, em tudo que for competitividade, não vamos desistir, vincou o treinador.
Esta será a sexta vez que Nasir Salé vai estar à frente da Selecção Nacional num Afrobasket.
A primeira vez foi em 2007, numa prova disputada no Senegal e na qual Moçambique terminou em quarto lugar. Depois, dirigiu a equipa na edição seguinte, em 2009, no Madagáscar, quedando-se em sexto lugar que é, aliás, a pior classificação de sempre do país na competição. Talvez por isso, em 2011, quando a prova decorreu no Mali, Nasir Salé não esteve no comando de uma equipa que não fez muito mais do que terminar em quinto lugar.
Regressou à equipa em casa, quando o Afrobasket decorreu em Maputo. Fez uma enorme campanha que culminou com a inédita qualificação ao Campeonato do Mundo da FIBA de 2014, acolhido pela Turquia. Todavia, aquele Afrobasket teve um final amargo, perdendo na final para Angola que, na ocasião, revalidava o título conquistado dois anos antes, no Mali.
O técnico manteve-se à frente da equipa nas duas edições seguintes, nos Camarões-2015 e Mali-2017, nas quais ocupando o sexto e quarto lugares, respectivamente. Em 2019, quando o Afrobasket regressou ao Senegal ao cabo de uma década, Salé foi preterido, mas retomou dois anos depois (2021), novamente nos Camarões. Num Afrobasket marcado por graves problemas administrativos e em que, depois de anunciar desistência, a equipa fez apenas quatro treinos antes da viagem, a equipa ficou em quinto lugar.
Na última edição do Afrobasket, em 2023, foi Carlos Aik a estar à frente da equipa sendo, agora, sucedido por Nasir Salé.
A 29.ª edição do Afrobasket, recorde-se, vai decorrer na Costa do Marfim, de 26 de Julho a 3 de Agosto próximo. Moçambique está no Grupo “D”, ao lado da tetracampeã Nigéria e Ruanda, quarta classificada da última edição, quando recebeu pela primeira vez a competição em 2023, na sua capital Kigali.



