A presidente da Federação Moçambicana de Triatlo (FMT), Janete Antunes, fala dos desafios da agremiação que dirige e mostra crença num desenvolvimento qualitativo, mas sem esquecer das enormes dificuldades enfrentadas pelas particularidades desta modalidade olímpica, que se estreou nos Jogos Olímpicos de Sydney em 2000, que, como se sabe, combina a natação, ciclismo e atletismo.
“Enfrentámos muitas dificuldades porque não temos apoio. O triatlo é muito exigente. Há necessidade de investir, sobretudo nos atletas”, disse e acrescentou que “o atleta deve ter a bicicleta que, muitas das vezes, são os seus pais ou encarregados de educação a adquiri-la. É preciso dizer que tivemos atletas com melhores marcas, mas acabaram por ficar pelo caminho por falta de meios”.
Actualmente, a FMT contabiliza seis atletas da alta competição, incluindo o Arvin Abdel, que representou o país no Campeonato Africano de Triatlo, no Egipto, durante o fim-de-semana.
“São atletas que se destacaram em algumas competições internacionais. E no caso de Arvin, que surgiu na natação e mais tarde experimentou o triatlo, e com sucesso, diga-se, todas as despesas foram custeadas pelos pais. Em outras circunstâncias, temos de angariar fundos. Neste caso, era muito difícil, porque havia um curto espaço de tempo.
Janete refere que Azarias é o técnico que se foca nos trabalhos relacionados ao atletismo, no Parque dos Continuadores, enquanto Paulo Garcia trabalha com os atletas no ciclismo. Já a natação fica a cargo da presidente.
DOIS CLUBES APENAS TREINAM TRIATLO
Segundo Janete Antunes, o país tem apenas dois clubes que apostam no triatlo e mostram ambição de alargar a sua vontade. Trata-se de Barracudas e Mabecos, ambas da cidade de Maputo.
“Isso limita a nossa capacidade de desenvolver o triatlo e de produzir atletas de alto nível. Precisamos de mais clubes a apostar nisto, mas reconhecemos que há necessidade de criar condições de trabalho para que os atletas sejam mesmo competitivos. A realidade de outros países é bem diferente. No ano passado, por exemplo, conheci o funcionamento da Federação Portuguesa e reconheço que eles tem melhores alternativas que nós. Por exemplo, os elementos que trabalham no triatlo estão a tempo inteiro e recebem por isso. Naturalmente, os resultados vão ser diferentes. Ainda assim, acho que, sem essas condições, não podemos deixar de pensar em expandir o triatlo paras as outras províncias.
Num futuro breve, Janete e a equipa da sua federação planeia organizar eventos internacionais, tendo já em vista a Copa Lurdes Mutola, agendado para Abril.
“Vamos abrir a época desportiva com essa competição. Esperamos que o evento movimente cerca de 100 pessoas no município de Marracuene. Teremos, igualmente, provas internacionais na cidade de Maputo, Bilene e também na Beira. Quero criar eventos que sejam acessíveis a todos, independentemente da idade ou do nível de habilidade. Queremos que as pessoas se sintam motivadas a participar e a desafiar a si próprias”.


