Jornal Desafio
Home » BANDIDOS DE COLARINHO BRANCO
LINHA DE PASSE

BANDIDOS DE COLARINHO BRANCO

Não podemos assobiar para o lado perante os indícios trazidos pelo Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) e, desde já, apelo que, a ser verdade, os responsáveis por esses actos sejam exemplarmente punidos.

Mesmo sem terem sido revelados os nomes dos envolvidos, pelo anúncio, percebe-se que se trata de pessoas bem posicionadas na esfera desportiva e que durante largo tempo granjearam respeito de muitos de nós. A aprovar-se a sua culpabilidade no crime, e pela forma como o orquestraram, não lhes ficaria mal o “estatuto” de “bandidos de colarinho branco”.

Com pessoas a alimentarem os seus egos, o engordar de contas individuais e a possibilidade de regressão desportiva é um dado adquirido.

Desde já, vai a minha palavra de apreço a todos que têm estado a contribuir para o levantamento de casos desta natureza que se traduzem em enriquecimento ilícito de certos cidadão, em detrimento da evolução desportiva, no caso vertente.

Associo à situação o assunto levantando no final da época passada, no sector de arbitragem, no qual a arbitragem, em clivagem com a direcção da Comissão Nacional de Árbitros de Futebol, apontou situações sobre o mesmo fenómeno (corrupção), com um ofício que também deu entrada no GCCC.

É preciso que se investigue com muita profundidade todos os actos relatados. Se assim for, acreditamos que serão despoletados nomes de pessoas que facilitaram equipas a ganharem jogos, quiçá competições, assim como também prejudicaram outras à descida de divisão.

Os árbitros e os dirigentes, que deviam zelar pelo civismo e decência na competição, têm estado a produzir falsos campeões durante décadas, contribuindo igualmente para que certos cidadãos fiquem sem emprego, sentenciados pela máquina maquiavélica de falsa incompetência.

No dirigismo desportivo há pessoas com interesses desviantes e a ganharem dinheiro à custa do sacrifício do bem maior; o desenvolvimento desportivo.

Será sempre preciso trazer o nome dos culpados e mostrar para todos a realidade do que representam para o país.

O desporto de Moçambique merece ser referenciado por motivos nobres para que mesmo que se continuem a exaltar os feitos do passado, pelas obras de Matateu, Eusébio, Coluna, Hilário, Lurdes Mutola, entre outros nascido nesta santa pátria, sejam visíveis os sinais de desenvolvimento através de investimento transparente e frutífero.  

Continuar a disputar o Moçambola clássico, adoptando jornadas duplas ou adaptadas, pode parecer uma “guerra vencida”, mas cria um ciclo vicioso; a dependência, alimentando a inércia, limitando a busca de alternativas que obriguem uma maior ginástica do cérebro para conquistar a independência financeira e daí conquistar autonomia. Prefere-se, no entanto, a manutenção da “cultura da mão estendida”, onde, provavelmente, se criem facilitismos. Não se descarta, desde já, essa hipótese.   

É preciso lembrar que o país tem sido assolado por desastres naturais, deixando pessoas em necessidade extrema, ao mesmo tempo que a economia fica cada vez mais comprometida. 

Porque continuou a afirmar que por mais bela que seja a arte, que se denomine “ópio do povo”, não creio que o futebol mereça mais atenção que essas vítimas.

Não será o futebol mais importante que a construção de mais escolas, hospitais, electrificação do país e a respectiva melhoria no fornecimento da energia ao povo. Daí que o futebol, em minha opinião, não pode continuar a absorver avultadas somas em dinheiro em prejuízo desses desafios. 

Volto a pensar que o Moçambola pode ser disputado com envolvimento de valores mais abaixo dos que são despendidos até hoje e ao mesmo tempo pensar que o “buraco” criado na Liga de Futebol continua a multiplicar-se e que ninguém irá conseguir fechá-lo. Não será o actual elenco directivo, nem os subsequentes. E aí pergunto: de que valerá fazer dívidas para as aparências? Qual será o outro interesse por detrás desta teimosia?

Há clubes que reivindicam competitividade para o alcance de resultados positivos nas Afrotaças. Haverá, nos últimos tempos, algum registo de melhorias que passou despercebido nas competições internacionais? Se não, que se encontre outro tipo de argumento.

E como sempre, os “pequenos” embalados pela “cantiga” dos graúdos vão afundar-se em dívidas e mais dívidas. Quando derem por si, estarão na falência, sobrevivendo, de facto, aqueles que respiram saúde, pelas ajudas fixas de empresas sólidas ou um empresário prospero, como é o caso da Black Bulls.

Por hoje, mais não direi.

Artigos relacionados:

Carregando....