O presidente da Federação Moçambicana de Automobilismo e Motociclismo (FMAM), Bruno Campos, veio a público denunciar o que descreve como “falta de vontade política” no processo visando a filiação da instituição que dirige na Federação Internacional que gere o desporto automóvel (FIA).
Num processo de execução que a FMAM moveu contra o Ministério da Juventude e Desportos (MJD) e o Automóvel & Touring Clube de Moçambique (ATCM), que continua a ser tratada pela FIA, como Autoridade Desportiva Nacional (ASN) - uma espécie de clube-federação -, a instituição pede ao Tribunal Administrativo para que mande executar a sentença que lhe confirma como legítima entidade máxima gestora do desporto motorizado em Moçambique e com a prerrogativa de representar o país nas federações internacionais de automobilismo e motociclismo.
A direcção da FMAM exige igualmente que o MJD viabilize a sua filiação na FIA, dando prosseguimento ao processo que culminou com a anulação, através do despacho ministerial de 18 de Setembro de 2019, da credencial atribuída ao ATCM pela Direcção Nacional do Desporto (DND), datada de 30 de Outubro de 2007, e que lhe conferia o estatuto de federação junto da FIA, tornando o clube como membro de pleno direito da entidade reitora do desporto automóvel mundial.
Isto acontece depois de esgotadas todas as acções judiciais movidas pelo ATCM junto do Tribunal Administrativo e que visavam anular a constituição da FMAM, legalmente reconhecida aos 7 de Outubro de 2019 por despacho do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos. O processo foi chumbado em todas instâncias do Tribunal Administrativo, nomeadamente na primeira, segunda e no plenário, que é o órgão máximo deliberativo.
Mesmo assim, a direcção da FMAM sente-se sem autoridade diante do maior clube do desporto motorizado, que continua a ser tratada na FIA como ASN, e lamenta aquilo que descreve como olhar impávido do MJD perante um problema que o Governo tem o poder e obrigação de resolver. Por outro lado, acusa o MJD de nada fazer para que a sua filiação na FIA se efective.
Na entrevista que se segue, Bruno Campos fala dos contornos que colocam a FMAM como uma federação sem poder de acção e numa situação de “marginalização” comparativamente ao tratamento que é dado a outras entidades desportivas nacionais. Contrariamente à sua filiação na Federação Internacional de Motociclismo (FIM), a sua vinculação à FIA está, segundo conta, a ser dificultada por dentro e fora.



