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FINALMENTE, A NOTÍCIA MAIS ESPERADA PELO PAÍS DESPORTIVO!

Depois de cerca de meses de incertezas e questionamentos, e de um lado para o outro faltando a preciosa resposta, parece que, finalmente, já se pode respirar de alívio. O Moçambola-2026 já vai começar, segundo a garantia da Liga Moçambicana de Futebol (LMF), a 1 de Maio próximo. Desta vez, tudo indica que não teremos mais adiamentos antes do primeiro apito, depois de terem falhado as primeiras duas datas indicativas, 28 de Março e 4 de Abril, com a realização do sorteio, no sábado, a ser mais um alicerce para esta nossa convicção.

Ora, se o Moçambola já tem “pernas” para andar, o país desportivo agradece. Não é para menos, o Campeonato Nacional de Futebol é a maior prova desportiva que se realiza em Moçambique. É a que é mais acompanhada, que mais aglutina e é vivida intensamente do Norte a Sul.

Como desportistas e particularmente amantes do futebol, sonhamos com um Moçambola-2026 bem disputado, com menos casos e com alto sentido do “fair-play”. Esta é uma missão que cabe aos artistas, nomeadamente os jogadores, treinadores e árbitros.

Mas é na parte administrativa e organizacional onde a coisa se torna “preta” a cada ano, com o Moçambola sempre sem datas exactas do arranque e do término.

 O que é publicamente sabido é que a LMF tem organizado esta prova sempre com défice orçamental e, mais do que isso, com dívidas avultadas para com os prestadores de serviços, com destaque para os de transporte aéreo.

Aliás, a rubrica do transporte aéreo é o verdadeiro nó de estrangulamento. Um bico de obra. É a mais onerosa e mais imprescindível na viabilização do Moçambola tendo, inclusive, precipitado o abandono da prova no ano passado (algo inédito em Moçambique) devido a um défice de 25 milhões de meticais, valor que se juntava ao “buraco” cavado nos anos anteriores pela LMF junto das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), a companhia transportadora.

A marcação das três primeiras jornadas em modo “provincial” deixa mais que claro que o “dossier” transporte aéreo está longe de estar solucionado, pelo que não surpreenderá a muitos se a prova parar volvidas duas e três rondas.

No nosso ponto de vista, está mais do que claro que a questão do transporte aéreo está, definitivamente, muito acima das capacidades da LMF, isso se se olhar para os cenários de forma honesta e desapaixonada. Estamos a falar de cenários ou conjuntura caracterizados por crise económico-financeira no país, que afecta por tabela as empresas, algumas parceiras estratégicas da LMF.

Nessa situação, somos de opinião que o Governo deve ter intervenções mais arrojadas, e não paliativas quando o assunto é Moçambola. Se esta é tida como uma competição de unidade nacional e que, por essa razão, nunca deve ser organizada em regiões pelo seu condão de união, então, o Moçambola é assunto do Estado.

 Sendo assunto do Estado, não restam muitas saídas, a não ser a sua preservação, valorização e consolidação, entanto que vector da união dos moçambicanos. O Estado deve adoptar medidas que, sem sufocar as suas contas, coloquem o Moçambola como um produto viável, exequível e credível, contrariando o actual cenário da prova que mancha a todos como uma sociedade. Não podemos continuar com um Moçambola que de manhã é nacional, de tarde é regional e de noite é provincial. Há que se dar um basta a isto.

Duas medidas (arrojadas) podem resolver isto. A operacionalização da Lei do Mecenato e a canalização de uma parte das verbas angariadas pelo Estado através da cobrança do Imposto sobre o Consumo Específico para o Moçambola e outras actividades desportivas.

Se o imposto do consumo de tabaco, álcool e de poluição ambiental pelo combustível e outras fontes de energia sensíveis fosse canalizado para o Moçambola e para o desporto em geral, outro galo, certamente, cantava.

Deixaríamos de ter um Campeonato Nacional de “faz de conta”, um Moçambola de arranjos, de incertezas ou indefinições constantes.

Há quem defenda o aumento de 10 centavos no preço de cada litro de combustível que é consumido em Moçambique, um valor irrisório que nem faria diferença no consumidor final, com essa verba acumulada a ser canalizada ao desporto. Contas feitas, seriam 300 mil dólares/mês, cerca de 20 milhões de meticais, valor suficiente para sustentar tranquilamente o Moçambola, o desporto de formação e as selecções nacionais a vários níveis, sem recorrer ao Orçamento do Estado que, de per si, já é deficitário para tantos problemas que o país enfrenta.

Se quisermos fazer bem as coisas, temos de adoptar medidas arrojadas. O Moçambola deve deixar de ser uma prova acarinhada pelos discursos, mas desamparada pelos actos concretos. Tem de passar a sê-lo por actos de quem é lhes exigível acções concretas, não meros rabiscos por mais bem-elaborados que estejam. Os governantes devem ser mais hipócritas e mais activos.

 O desporto não se compadece com dirigentes que se assumem como tal apenas na hora de fotografias, desaparecendo logo que as coisas não andam bem.

Sejamos honestos, atendendo e considerando a nossa realidade e a herança socialista, sem “mão” do Governo, por mais que tenhamos toda a vontade de ver o nosso Moçambola brilhante, na actual conjuntura económico-financeira, não é possível.

É muita areia para o camião da LMF e seus dirigentes.

Foram nossas ilações, depois de muitas cogitações.

Bola para frente…

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