Gosto de um ditado dos povos do Oriente asiático segundo o qual “quando um homem cai, ao se levantar, levanta-se com alguma coisa na mão”.
O pensamento leva-nos para a necessidade de fazermos das dificuldades que tivermos passado um aprendizado importante para o futuro e não, necessariamente, um atestado de incompetência.
Aliás, quase todos os tutores ensinam aos seus tutorados que não é o falhanço, aqui e acolá, que determina se a sua carreira será marcada pelo falhanço. Antes pelo contrário, o falhanço não determina se a pessoa é fraca, mas sim que é sucedida.
Diferentemente do que muitos de nós aprendemos e ensinamos aos nossos filhos e até aos que lideramos, a pessoa sucedida não é, afinal, quem não falha. Aliás, a pessoa sucedida é quem falha muitas vezes.
O próprio astro de basquetebol mundial Michael Jordan celebrizou uma frase, para provar a sua importância na educação das crianças, encontrei gravada numa parede de uma escola americana na cidade de Washington, em Março de 2010, durante uma visita que fiz àquele país com colegas treinadores de basquetebol em programa do seu Governo.
Na frase, Michael Jordan diz que durante a sua carreira falhou mais de 9000 lançamentos; que perdeu mais de 300 jogos e que, em 26 finais de jogos, foi lhe entregue para lançar a bola que podia evitar a derrota, mas que falhou. Continuou Jordan dizendo que falhou tanto, tanto, que se tornou no melhor jogador de basquetebol do mundo.
Ou seja, aquele que para muitos é considerado o melhor jogador de basquetebol de todos os tempos não se fez por ter falhado uma vez, mas sim por ter falhado muitas vezes. Por não ter resignado após uma, duas, três, 10 ou 20 falhas. Por ter persistido mesmo falhando.
Aqui chegados, faço votos de que cada falha que tenha sido registado durante o Moçambola-2025, em particular, mas em todo o percurso de 25 anos da gestão e organização do Campeonato Nacional de Futebol da I Divisão pela Liga Moçambicana de Futebol (LMF), seja usada como aprendizado para o Moçambola-2026 prestes a iniciar.
Não é que ao longo do percurso da organização do Moçambola não existiriam erros ou falhas que fizessem todos estarem desconfiados como, por exemplo, agora se percebe. O que está em causa é a necessidade de transformar esses erros do passado em aprendizados para que o futuro seja melhor.
Tenho cá por mim que depois dos problemas verificados em 2025, gravemente marcados pelas interrupções de jogos e por não ter chegado ao fim e, agora, pelas incertezas à volta do seu arranque e esta necessidade de reverter o sorteio realizado no passado dia 18 de Abril, que a LMF tenha aprendido o suficiente e esteja pronto para nos brindar com um excelente Campeonato Nacional.
Os clubes precisam do Moçambola, é verdade, mas é inequívoco que este evento é, também, um advento político de suma importância.
Um país marcado por inúmeras diferenças regionais, mormente de desenvolvimento económico, linguístico-culturais que têm potencial de alimentar narrativas políticas, não se pode dar ao luxo de ignorar o factor unificador do futebol em torno do princípio de unidade nacional.
É preciso corrigir o que não está bem para, no fim, todos os actores interessados protegerem o Moçambola como um factor impulsionador da narrativa da unidade nacional.
Que comece o Moçambola e que ganhe o melhor.

