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MOÇAMBOLA

COSTA DO SOL CONQUISTOU MAIS TÍTULOS NO FUTEBOL EM 50 ANOS

Em 50 anos foram disputadas 47 edições do Campeonato Nacional. Desde que a prova iniciou, em 1976, apenas não se realizou em 2020, devido à eclosão da Covid-19, assim como aconteceu com outras actividades desportivas. A Taça de Moçambique, competição iniciada em 1978, teve até hoje 42 edições, uma vez que não foi disputada em 1985, 1996, 2020 e 2021, nas últimas duas edições, por imposições da pandemia referida anteriormente.

Neste contexto futebolístico, o Clube de Desportos do Costa do Sol apresenta-se hoje como a colectividade moçambicana que arrebatou mais títulos desde que o país se tornou independente. São no total 21 troféus conquistados, sendo 10 Campeonatos Nacionais e 11 Taças de Moçambique. Os “canarinhos”, antes de se celebrar a independência, eram um clube que não discutia títulos. Fundado a 10 de Outubro de 1955, com o nome de Sport Lourenço Marques e Benfica (passando para Sport Maputo e Benfica), o Costa do Sol tinha apenas 20 anos em 1975.

Martinho da Silva Almeida, que também era jogador/treinador, iniciou uma renovação a todos os níveis, em recuperação da colectividade, que tinha sido “devastada” pelos “ventos” da independência, culminando com o abandono (para Portugal, sobretudo) de várias figuras que garantiam a sua sustentabilidade.

Uma das acções de Martinho de Almeida foi de recrutamento de alguns jovens a seu estilo (viris, resistentes, velozes e talentosos) e juntaram-se àqueles que já lá estavam, uma miscelânea que viria, com a sua filosofia de trabalho, atingir os níveis exibições dos chamados grandes, conquistando o primeiro título (Campeonato Nacional) em 1979, proeza repetida no ano seguinte (simultaneamente com a conquista da Taça de Moçambique, a primeira no seu historial), iniciando assim uma trajectória de glória e arrastando um bom número de adeptos.

De lá a esta parte, o Costa do Sol, com estatuto de colectividade de referência obrigatória no país, conquistou também os campeonatos de 1991, 1992, 1993 e 1994, sob a batuta do técnico José Arnaldo Salvado, numa  direcção composta por José Neves (presidente da colectividade), Rui Tadeu (director executivo), entre outros que faziam o auxílio em várias área estratégicas, período em que recrutavam os melhores jogadores, bem remunerados e premiados a outros níveis.

Depois de um período longo sem ganhar campeonatos, o Costa do Sol retornou às conquistas na época de 1999/2000 (juntando igualmente a Taça de Moçambique) e na de 2000/2001, estendendo novamente um intervalo para voltar a arrebatar o campeonato de 2007, antes do vencido em 2019, o último até ao momento.

As vitórias na Taça de Moçambique aconteceram também, além das já referidas nas temporadas de 1980 e 1999/2000, em 83, 88, 92, 93, 97, 2002, 2007, 2017 e 2018.

FER. MAPUTO EM SEGUNDO E MAXAQUENE EM TERCEIRO

Por seu turno, o Clube Ferroviário de Maputo, fundado em 1924, figura em segundo lugar com 17 títulos, sendo 10 campeonatos e sete Taças de Moçambique. Aquando da independência, os “locomotivas” apresentavam-se como uma das maiores forças futebolísticas de Moçambique, com mais provas conquistadas na era colonial.

Mas o Ferroviário de Maputo só ganhou o seu primeiro Campeonato Nacional sete anos depois da independência (1982), com Mário Esteves Coluna no comando técnico e uma equipa forte de trás para frente; de opções diversas, mas com Rafael e Didiça a revezarem-se mais na baliza, Hafussene, Joaquim João, Mabjaia e Gilberto ou Januário no quarteto defensivo, Jerry, Vicentinho, Pelembe, ou Gastão na intermediária, Castigo, Francisco Ramos, João Cossa e Fortunato, os mais destacados mais vezes na frente de ataque. A primeira Taça de Moçambique para os “locomotivas” foi conquistada em 1984. Cinco anos depois (1989) fez a “dobradinha”.

Insatisfeito com o sucesso do Costa do Sol, no “tetra”, no início da década de 90, foi “roubar” o seu arquitecto (Arnaldo Salvado) e penalizou a tudo e todos com um “tri”, em 1996, ‘97 e 1998/1999. Voltou a terminar vitorioso no campeonato nas temporadas de 2002, 2005, 2008, 2009 e pela última vez em 2015, passam agora 10 anos, sendo que na Taça de Moçambique os “locomotivas” da capital, ganharam, além de 1984, as provas de ‘89, 2004, 2009, 2011, 2022 e no ano passado (2024).

O Clube de Desportos da Maxaquene, que inicialmente teve como designação social Sporting Clube de Lourenço Marques, quando fundado a seis de Maio de 1920, assumia-se, à semelhança do Ferroviário de Maputo, como colectividade candidata e vencedora de muitas provas no período de domínio colonial.

Quando chegou a independência, o Maxaquene (em terceiro, com 14 troféus nacionais), apesar da sua inegável qualidade, não conseguia conquistar campeonatos. Por diversas vezes foi do “quase”, terminando como “vice”, uma circunstância que o “comandante” Bacelar não “engolia” e por isso, depois de João Albasini, Mário Coluna, Cremildo Loforte, dos melhores que o país ostentava, foi buscar um treinador diferente, em Portugal. Tratou-se de Joaquim Meirim, que tinha feito furor no Belenenses, em Portugal. Meirim chegou ao Maxaquene e promoveu uma grande “revolução” não só na maneira de jogar, como nos hábitos culturais que, na sua opinião, constituíam empecilho para alcançar vitórias dignas desse nome. Infelizmente, nesse processo surgiram desinteligências com a direcção de Bacelar e “pegou em si e foi embora”, deixando Joaquim Alói, seu adjunto, como treinador-principal. Foi com ele que o Maxaquene conquistou o seu primeiro campeonato, em 84, e seguiram mais dois consecutivos (em 1985 e 1986), com o outro português, Rui Caçador, mas este depois saiu para o Costa do Sol e o Maxaquene contratou António Medeiros, com forma de estar bem diferente, considerando que aqueles jogadores que tinham sido usados nos anteriores campeonatos já não serviam, por estar, em sua opinião, “velhos”, mas essa “cirurgia” foi nefasta para os “tricolores”, que só viriam a conquistar o campeonato 17 anos depois (2003), com Arnaldo Salvado, também contratado para ganhar novamente a prova (2012).

Realçar que o Maxaquene foi o primeiro vencedor da Taça de Moçambique, em 1978, goleando o Ferroviário da Beira por 4-0, depois em 1982, 1986, 1987, 1984, 1996, 1998/1999, 2000/2001 e 2010.

DESPORTIVO TEM OITO TROFÉUS

O histórico Grupo Desportivo de Maputo tem oito conquistas referentes a seis campeonatos e duas Taças de Moçambique. Os “alvi-negros” fundados em 1921, foram a segunda equipa a ganhar o campeonato no país independente, em 1977, sob o comando de Cremildo Loforte, e no ano seguinte não deixou os créditos em mãos alheias, repetindo a festa. Também conquistou o campeonato de 1983, sem derrotas, feito inédito, e o certame de 1988, também.

Sete anos mais tarde, quando nada fazia prever, pela qualidade teórica da sua equipa em relação aos restantes concorrentes, o Desportivo foi campeão, com Miguel dos Santos na liderança. Esperou 11 anos (2006) para ganhar aquele que foi o seu último campeonato, numa equipa orientada por Uzaras Mahomed, com jogadores como Dominguez, Carlitos, Maurício Pequenino, entre outras unidades, que viriam a deixar o clube, contratados por clubes sul-africanos.

O Matchedje, precisamente com a idade da independência hoje, criado como Forças Populares, passou por um período que recrutava os jogadores que quisesse, incorporando-os no serviço militar. Foi um dos responsáveis por desfalcar o Palmeiras da Beira, Têxtil do Púnguè e Textáfrica, vindo a ganhar o campeonato em 1987 e 1990, neste último, juntando a conquista da Taça de Moçambique.

O Ferroviário de Nampula é até ao momento a única equipa do norte do país que em 50 anos de independência conquistou troféus nacionais. Em 2003, com Mussá Osman, ganhou a Taça de Moçambique e em 2004, também com Mussá, conquistou o Moçambola.

Há registo de dois emblemas com títulos nacionais, mas concretamente na Taça de Moçambique. Trata-se do Palmeiras da Beira, que voltou a chamar-se Sporting, e o Clube de Gaza, que ganharam a prova em 1979 e 1991, respectivamente.

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