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Paizinho não deixou os seus créditos em mãos alheias.
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REPORTAGEM

A LUVA QUE A JUSTIÇA NÃO ESCONDEU

Quando a Liga Moçambicana de Futebol (LMF) decidiu, em 2025, corrigir o erro em que atribuía a Luva de Ouro a Guirrugo — que já contava com dois troféus — e a de Prata a Ebrima, poucos imaginavam que a justiça viria do terceiro lugar. Da luva de bronze que lhe fora entregue, constatou-se que Crimildo Melo, vulgo Paizinho, guarda-redes do Ferroviário da Beira, havia sofrido exactamente 12 golos em 19 partidas, o mesmo número de Guirrugo, mas em quatro jogos a mais. A correcção repôs a verdade desportiva e trouxe à luz do dia o mais jovem guarda-redes do Moçambola: um rapaz de 18 anos que em 2024 fora lançado às feras pelo luso-moçambicano Daúto Faquirá, numa fugaz passagem pelo emblema “locomotiva”.

Paizinho não deixou os seus créditos em mãos alheias. Convenceu com entrega e trabalho o seu actual treinador, Akil Marcelino, manteve a confiança e o guarda-redes está a assumir a titularidade absoluta. Sofreu apenas um golo nos sete jogos (630 minutos) até aqui disputados no campeonato, além de ter já defendido a baliza em dois encontros da Taça de Moçambique.

Uma combinação equilibrada de atributos físicos, técnicos, tácticos e mentais — com destaque para os 1,92m de altura — coloca este atleta numa posição privilegiada entre os guarda-redes. Aliás, o jovem segue fielmente as peugadas do seu pai, já falecido, Crimildo de Melo, antigo guarda-redes do Ferroviário da Beira. Afinal o talento também se herda.

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