Cinco meses após ter terminado o último Moçambola - interrompido por falta de meios para assegurar o transporte aéreo dos intervenientes - o futebol moçambicano continua de joelhos, à espera que o campeonato de 2026 finalmente arranque.
E se há quem culpe a Liga Moçambicana de Futebol (LMF) pelo “silêncio” que tem envolvido a principal prova do país, o seu presidente, Alberto Simango Júnior, tem uma explicação: “Estamos a trabalhar arduamente para viabilizar o campeonato. Não temos estado a comunicar tanto porque estamos focados em resolver o problema”.
Em entrevista à Rádio Moçambique e cedida ao nosso jornal, Alberto Simango Jr. abriu o jogo sobre o verdadeiro obstáculo que separa o país da bola a rolar: um braço-de-ferro financeiro com as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) que, segundo as contas da LMF, poderá inviabilizar a competição se não for resolvido urgentemente.
Ainda assim, Simango Jr. acredita que “a bola vai começar a rolar em Abril corrente”.
Para perceber a dimensão do problema, é preciso recuar para o ano 2024. Foi nesse período que a LAM alterou radicalmente a sua política de relacionamento com a LMF. “Pagou, viajou; se não paga, não viaja”, resume Simango Jr., descrevendo a nova postura da companhia de bandeira.
A mudança foi brutal. Entre 2023 e 2024, as tarifas aéreas duplicaram – um agravamento em cerca de 100 por cento que fez com que o orçamento da LMF para o transporte saltasse dos valores habituais. “Nós usávamos cerca de 4000 bilhetes. Com 4000 bilhetes não é possível ter 130 milhões de meticais sempre adiantados”, explica o presidente da LMF, referindo-se à impossibilidade de manter um fluxo de caixa permanente para o pagamento imediato das passagens.
O resultado foi o caos na época passada. Jornadas adiadas, jogos reprogramados e um final de temporada 2025 infeliz: faltando três jornadas para o término, o Moçambola teve de ser suspenso por falta de meios financeiros para assegurar as deslocações das equipas.



