A Federação Moçambicana de Futebol (FMF) reconhece que não está a desenvolver o seu papel de fiscalizador no que concerne ao regulamento de competições e pretende, a partir de 2027, acompanhar o cumprimento das leis e, em caso de incumprimento, colocar uma mão dura para os que não seguirem o que está plasmado nos regulamentos.
Constata-se que as equipas do Moçambola são as que mais prevaricam, e a Federação entende que é chegada a hora destas serem severamente penalizadas por esses actos. Uma das sanções (ainda em estudo) é a retirada de pontos às equipas do Moçambola que não cumprirem com as regras impostas, atendendo que a penalização através de multas não surte o efeito desejado.
Lembrar que numa das medidas o Comunicado Oficial número um da FMF determina que dos 30 jogadores a inscrever por cada clube cinco devem ser de sub-21, sendo que dois devem constar na ficha técnica nas partidas do Moçambola.
Também está regulamentado que todos os clubes do Moçambola devem ter, no mínimo, duas equipas de formação inscritas e a competir, uma sénior feminina e a outra de sub-17.
Também está regulamentado que as 14 equipas que participam no Moçambola devem ter inscrita uma equipa de sub-21 a competir no Campeonato Nacional da II Divisão, fase provincial, designada por equipa “B”, mas estas sem poder qualificar-se para a Fase Regional, vulgo “Poule” de apuramento, mesmo que terminem a primeira fase da prova em primeiro lugar .
Entretanto, de acordo com o Gabinete Técnico da FMF, a esmagadora maioria não tem cumprido com estes pontos. “A não fiscalização por parte da FMF é que propícia essas irregularidades. Poucos são os clubes que cumprem com estas exigências”, declarou Arnaldo Salvado, director do referido gabinete, lembrando que “na recepção aos documentos da homologação dos campeonatos de formação constatámos, por exemplo, que em Cabo Delgado, no ano passado, realizaram-se os campeonatos de juniores, juvenis e femininos numa única volta, provas que duraram dois meses. Portanto, estes escalões são inscritos para competir apenas nesse período. E mais, nessas competições o Baía, como equipa do Moçambola, só tinha uma equipa de juniores. Não teve juvenis, nem femininos, como está regulamentado”.
Pelo que, para melhor fiscalização, FMF sente que é chegado o momento dos clubes que estão no Moçambola serem obrigados a participar nos Campeonatos Províncias e Regional. Assim, a FMF vai ter a certeza do cumprimento das existência efectiva por parte desses clubes”, disse, explicando também que “a intenção não é apenas de fazer cumprir os regulamentos. É também uma forma de permitir que haja mais jogos para esses atletas e nessa circunstância que eles se desenvolvam mais”.
O director do Gabinete Técnico lembra que clubes como a União Desportiva do Songo, Ferroviário da Beira, Ferroviário de Nacala, Ferroviário de Nampula, Ferroviário de Lichinga, com algum poder financeiro, simplesmente abdicam de participar nos campeonatos nacionais de formação, assim como na prova de femininos. “Houve um campeonato nacional de juniores, realizado na Beira, em que o Ferroviário local não participou. Em anos anteriores, o Incomáti, Matchedje de Mocuba, Desportivo de Nacala, Ferroviário de Nacala, Baía de Pemba, que disputavam o Moçambola, não apresentaram equipas desses escalões ”, lamentou.
Salvado considera que a penalização com a perda de pontos é o melhor caminho para que os clubes se sintam obrigados a cumprir com os seus deveres. “Já se percebeu que aplicar multas não muda nada, até porque levam muito tempo para as saldar. Apenas as medidas pesadas podem disciplinar os prevaricadores”, frisou.
O nosso interlocutor da federação elogiou, por outro lado, aqueles que, de facto, se mostram comprometidos com o desenvolvimento do futebol juvenil. “Clubes como o Costa do Sol e a Black Bulls fazem um grande esforço para participar nos campeonatos de juniores, juvenis e femininos com regularidade. É de aplaudir este empenho destas colectividades”, salientou.


