O atletismo moçambicano perdeu o brilho que o projectou para o mundo e precisa de uma intervenção profunda para recuperar o prestígio conquistado nas pistas internacionais. O diagnóstico é de Lurdes Mutola, campeã olímpica dos 800 metros nos Jogos de Sydney-2000, que considera preocupante o actual estado da modalidade, marcado pela desistência de atletas, falta de competições e ausência de uma estratégia consistente para descobrir e desenvolver novos talentos.
Sem esconder a dimensão da crise, a antiga atleta descreve um cenário que contrasta com os anos em que o país se afirmava entre as referências do atletismo mundial. “O atletismo está completamente destruído. Destruíram o nosso atletismo”, afirma Mutola, numa avaliação que traduz a sua preocupação com o futuro de uma modalidade que lhe proporcionou os maiores feitos da carreira e colocou a bandeira nacional no pódio olímpico.
Para a antiga campeã, um dos sinais mais preocupantes é a dificuldade de formar atletas capazes de alcançar resultados comparáveis aos das gerações anteriores. Desde a sua consagração em Sydney, em 2000, o país continua à procura de uma nova figura que consiga conquistar o pódio africano e, quiçá, mundial, realidade que, na sua perspectiva, exige uma reflexão séria sobre o funcionamento da modalidade.

