Pelo menos cinco competições nacionais oficiais por ano, criação de três pólos regionais, certificação de 25 treinadores, juízes e dirigentes e aumento de 50 por cento do número de atletas federados constituem algumas das metas que Gilberto Gomes pretende alcançar durante o seu mandato à frente da Federação Moçambicana de Atletismo (FMA).
O novo presidente promete ainda uma gestão transparente, selecções nacionais baseadas exclusivamente no mérito desportivo e melhores condições de preparação, numa tentativa de devolver ao atletismo moçambicano a competitividade e o prestígio.
Sob o lema “Uma Nova Pista para o Futuro”, o dirigente assume a responsabilidade de reconstruir uma modalidade que atravessa um dos períodos mais difíceis da sua história recente. A missão passa por recuperar a confiança dos agentes desportivos, reactivar as competições, reorganizar as estruturas provinciais e criar condições para o aparecimento de uma nova geração de campeões.
Um desafio que se apresenta particularmente exigente perante as dificuldades financeiras, as instalações degradadas e as divergências institucionais que marcaram os últimos anos da federação.
O cenário encontrado pela nova liderança contrasta com os tempos em que Moçambique conquistava reconhecimento nas pistas internacionais, tendo em Maria de Lurdes Mutola a sua principal referência. Actualmente, a modalidade enfrenta problemas de organização, sustentabilidade financeira, formação técnica e renovação de atletas, agravados pela ausência de um calendário competitivo regular e pelo afastamento de vários jovens que, sem perspectivas de evolução, acabaram por abandonar a prática desportiva.
A responsabilidade de inverter este quadro cabe ao executivo liderado por Gilberto Gomes, eleito presidente da FMA na passada terça-feira, com nove votos favoráveis, num universo de 11 associações provinciais votantes. Kamal Badrú obteve um voto, Francisco Paulo Sunia não conseguiu qualquer voto, tendo-se ainda registado um voto nulo. A eleição abriu um novo capítulo na governação da modalidade, depois de um período marcado pela instabilidade institucional e pela ausência de uma direcção eleita desde Outubro de 2025.
Gilberto Gomes defendeu que a recuperação do atletismo não poderá depender apenas da federação, exigindo o envolvimento das associações provinciais, clubes, treinadores, atletas, famílias e parceiros.

