A 10 dias do arranque da maior competição desportiva do planeta, os bastidores do “Mundial”-2026 estão ao rubro. A inédita expansão para 48 selecções alterou por completo a tradicional geografia do futebol mundial, desenhando um torneio de proporções colossais repartido por três países — Estados Unidos, México e Canadá — e distribuído por 16 cidades-sede, com estádios de última geração que prometem espectáculos memoráveis.
No topo da pirâmide, a fasquia mantém-se elevada e as grandes potências entram em campo com a missão de defender o seu estatuto histórico. O Brasil, isolado como pentacampeão, tenta quebrar um jejum de 24 anos para erguer a sua sexta estrela, enquanto a Alemanha, com quatro títulos conquistados, procura a redenção e a reconquista do prestígio internacional.
Logo atrás surge a Argentina, actual detentora do troféu, que, sob a liderança de Lionel Messi, procura alcançar o tetracampeonato e consolidar o seu domínio nesta década dourada do futebol sul-americano. A selecção espanhola não fica fora da lista dos grandes favoritos ao título. Com uma nova geração, dominada por estrelas como Yamal, Pedri, Ferran Torres e Nico Williams, procura o segundo triunfo depois de 2010. Em Portugal, o astro português Cristiano Ronaldo sonha em erguer o único título que falta no seu palmarés antes do ponto final na carreira, liderando uma selecção repleta de talento.
Várias cidades irão acolher as 48 nações. Nos Estados Unidos, o maior número do palco do torneio, passará por 11 cidades emblemáticas: Nova Iorque/Nova Jérsia, cujo MetLife Stadium será o palco da grande finalíssima, Los Angeles, Dallas, Kansas City, Houston, Atlanta, Boston, Filadélfia, Miami, Seattle e São Francisco. O México injecta a sua paixão tradicional através de três sedes vibrantes, com a cidade do México e o mítico Estádio Azteca a liderarem o caminho, ao lado de Guadalajara e Monterrey.
A fechar o trio de exigentes anfitriões, o Canadá estreia-se finalmente na organização de um “Mundial” masculino, acolhendo jogos em Vancouver e Toronto, completando o desenho geográfico mais ambicioso de sempre.
CONVOCATÓRIAS
QUE DIVIDEM OPINIÕES
Nenhum arranque de “Mundial” se faz sem polémica, e as listas de convocados deixaram marcas profundas na imprensa e nos adeptos devido a ausências e presenças inesperadas. Em Inglaterra, o seleccionador Thomas Tuchel provocou um autêntico terramoto ao deixar de fora estrelas consagradas como Phil Foden, Cole Palmer, Maguire e Arnold, optando por preterir o mediatismo e a magia individual em favor de uma estrutura táctica muito mais física, operária e defensiva.
No Brasil, houve muita euforia com a convocatória de Neymar, mas também desilusão pela ausência de Pedro Neto, que fez uma temporada notável ao serviço do Chelsea. Em Espanha, pela primeira vez, a selecção vai a um Campeonato do Mundo sem nenhum jogador do Real Madrid.
Por fim, em Portugal, a discussão gira em torno da longevidade de Cristiano Ronaldo, confirmado por Roberto Martínez, aos 41 anos, para aquele que será o seu sexto “Mundial”, dividindo os adeptos entre a gratidão pelo estatuto de lenda viva e a exigência de uma renovação geracional imediata na frente de ataque.


