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REPORTAGEM

CLUBE DA NAMAACHA: SÓCIOS CONTRA-ATACAM DEPOIS DA SENTENÇA FAVORÁVEL À FMF

Os três membros (sócios) integrantes dos ógrãos sociais do Clube da Namaacha, nomeadadamente José Manhiça (presidente de direcção), Rafael Langa (director executivo) e Estêvão Miguel (presidente do Conselho Fiscal), mantêm o braço-de-ferro contra a Federação Moçambicana de Futebol, mesmo depois do Tribunal Judicial Distrital da Namaacha ter deliberado recentemente a favor da entidade que gere a modalidade raInha no caso em que são acusados de ocupação ilegal das instalações onde funcionou a Academia Mário Esteves Coluna no âmbito do acordo rubricado pelo saudoso “Monstro Sagrado”, na altura presidente da instituição, e o antigo secretário-geral da colectividade, Pedro Celestino Manhice, em Abril 2001, inserido o Projecto Golo da FIFA.

O trio não só nega abandonar as instalações, desafiando o Despacho do Tribunal, que condena os três por alegada desobediência a ordens judiciais, como também promete mover uma acção judicial (recurso) junto à mesma instância contra a Direcção da FMF devido ao que chama de incumprimento do acordo que culminou com a implantação da Academia da Namaacha e tentativa descabida de usurpar as instalações do clube.

Recordar que o Tribunal condenou, no dia 3 de Junho corrente, o trio a quatro meses de prisão convertida em multa de dois terços do salário mínimo correspondente ao mesmo período e a pagar custas judiciais, bem como a abandonar as instalações na sequência da providência cautelar requerida pela FMF em Março de 2023, em que a entidade que gere o futebol nacional acusa os três de terem arrancado as chaves aos guardas da academia e ocuparem ilegalmente o edifício onde a mesma funcionava e que curiosamente é a sede do Clube da Namaacha.

NÃO TEMOS NADA

A VER COM A ACADEMIA

O trio defende-se dizendo que não é o visado da acusação e nem da condenação, pois não tem nada a ver com a academia, mas sim com o Clube da Namaacha, de que são legítimos donos enquanto sócios que militam na colectividade desde a década 70.

Aliás, acrescentam que não podem entregar algo que não têm, referindo-se às chaves da Academia da Namaacha.

– “Agora, sobre as chaves do clube nunca tivemos problemas com ninguém. E também nunca fomos proibidos de entrar no clube”, frisou.

Outrossim, os condenados consideram estranho o facto de serem conotados como desobedientes da ordem judicial porque nunca antes tinham sido condenados sobre o mesmo processo.

Contam que nunca tinham sido antes notificados para serem informados ou entregues um despacho que lhes condenasse depois da audição que se presume tenha sido realizada no dia 6 de Maio de 2023 na sequência da providência cautelar requerida pela FMF no dia 31 de Março do mesmo ano. Ressaltam que foi a primeira vez e última que foram julgados e condenados pelo mesmo processo no dia 3 de Junho, pelo que não entendem até que ponto foram acusados e imputados por crime de desobediência a ordens judiciais.

Questionam, por outro lado, por que razão na sessão do dia 3 de Junho o Tribunal tenha apenas só notificado duas pessoas (José Manhiça e Estêvão Miguel) visadas no caso. Mesmo assim, Rafael Langa afirmou que não podia ficar de fora porque fazia parte do processo, sendo curiosamente a pessoa que tem estado a dar as caras na batalha contra a FMF pela posse das instalações.

O facto de as notificações de José Manhiça e Estêvão Miguel terem curiosamente caído nas mãos de Rafael Langa, ora não notificado, e não do assistente do trio no caso, assim como aconteceu na primeira audição, também levanta, de acordo com a fonte, algumas suspeitas. Para além de que sem consultar o trio, segundo conta Langa, o Tribunal entendeu unilateralmente escolher um assistente do Instituto de Patrocínio Jurídico (IPAJ) para defendê-lo no julgamento do dia 3 de Junho corrente.  

– “Não nos consultaram e vamos contestar, porque segundo a Constituição da República o cidadão tem direito direito de livre escolha do seu advogado”, sublinhou.  

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