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REPORTAGEM

O BALUARTE QUE SUSTENTA  CARREIRA DE CAMPEÕES

Num país onde o talento desportivo brota em cada esquina, o cuidado com os atletas torna-se tão essencial quanto o treino no campo. Não basta correr, saltar ou marcar; é preciso garantir que os corpos estejam preparados e que as lesões não deitem por terra o esforço de uma carreira.

É neste cenário que o Centro de Medicina Desportiva do Zimpeto cumpre um papel determinante. Situado no Estádio Nacional, o centro é mais do que uma simples unidade médica, é um verdadeiro parceiro dos atletas, acompanhando cada etapa, desde a prevenção até à recuperação total.

Inaugurado em Janeiro de 2014, no âmbito da Política Estratégica de Desenvolvimento do Desporto, este centro ergueu-se como estrutura de apoio do Instituto Nacional do Desporto (INADE).

Com uma missão clara: garantir que os atletas moçambicanos tenham acompanhamento médico especializado, à altura das exigências do desporto de alta competição.

Duas são as grandes frentes do centro: as inspecções médico-desportiva e acompanhamento, tratamento e recuperação dos desportistas de alta competição.

Assim que um atleta atravessa as portas do centro inicia-se um processo rigoroso. Primeiro é feita uma consulta médica para avaliação do seu estado de saúde. Identificada a situação o atleta é encaminhado à sala de fisioterapia e reabilitação, onde dois fisioterapeutas trabalham na recuperação completa. Ao final é feita uma reavaliação e o relatório segue para o clube.

Mas o trabalho não pára por aí. O centro tem uma função educativa importante, integrando-se nas formações oferecidas pelo INADE. Médicos e técnicos do centro participam activamente nas acções formativas para agentes desportivos, transmitindo conhecimentos de medicina desportiva aplicados à realidade moçambicana.

Contudo, o centro tem procurado colmatar essa lacuna através de parcerias. “Já conseguimos alguns colaboradores que abraçaram a nossa causa e estamos a trabalhar para remodelar o centro, montar um laboratório e alargar os nossos serviços clínicos, não só para atletas, mas também para o público em geral”, afirma Isabel Torrie Lin Seu, médica responsável.

O TEMPO COMO

MAIOR INIMIGO

Outro desafio frequente é o tempo de chegada dos atletas ao centro. Muitos procuram apoio já com lesões em fase avançada, o que limita a eficácia do tratamento. “Estamos a sensibilizar os clubes, treinadores e atletas para que procurem ajuda logo nos primeiros sinais”, afirma a médica.

Ainda assim, quando os casos são graves e exigem cirurgias ou intervenções especializadas o centro actua como elo, encaminhando os atletas a unidades sanitárias de referência.

A par do atendimento clínico, o centro investe na investigação. Actualmente decorre um estudo sobre a relação entre doenças crónicas e actividade física em colaboração com o Ministério da Saúde. A meta é produzir conhecimento que beneficie não apenas os atletas, mas também a população em geral.

O centro também está a preparar manuais de bolso com informações sobre saúde, nutrição e exercício físico. Trata-se de uma forma de levar a medicina desportiva para além dos muros do Zimpeto, alcançando clubes, escolas e comunidades.

Com o apoio de novos parceiros, está em curso um projecto de reestruturação. A instalação de um laboratório e a ampliação do atendimento clínico que passará a abranger o público em geral são prioridades. “Já temos colaboradores que acreditam na nossa missão e estão a apoiar esta nova etapa”, diz a Doutora Isabel.

Enquanto isso, o apelo mantém-se firme: “atletas e público em geral, não se acanhem. Venham ao centro de medicina tirar dúvidas, cuidar da saúde e conhecer os nossos serviços”, disse a médica.

A profissional de saúde frisou que a equipa do Centro de Medicina é responsável por garantir a inspecção dos atletas em alta competição.

– “Já participei da missão dos Jogos Africanos e Paralímpicos. Agora em Julho vamos aos Jogos da AUSC e outros colegas vão à CPLP”, referiu.

Com serviços que vão muito além da consulta médica, o centro torna-se um verdadeiro baluarte do desporto moçambicano. Numa era em que o rendimento e a longevidade no desporto exigem mais do que talento, é reconfortante saber que há um espaço onde a ciência e o desporto caminham lado a lado ao serviço da excelência, da saúde e da paixão por competir.

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