Jornal Desafio
“Alvi-negros” em luta constante para regressar ao Moçambola
Home » CENTO E CINCO ANOS DE HISTÓRIA E MEIA DÉCADA DE AUSÊNCIA!
REPORTAGEM

CENTO E CINCO ANOS DE HISTÓRIA E MEIA DÉCADA DE AUSÊNCIA!

Ontem, o Grupo Desportivo de Maputo apagou 105 velas, sem festa e nem euforias. Fundado a 31 de Maio de 1921, na então Lourenço Marques, por um grupo de professores liderados pelo prof. Sá Couto, o clube “alvi-negro” é hoje uma das instituições desportivas mais antigas de Moçambique. Mas o presente continua a ser um desafio sem fim.

O Desportivo é o clube de José Craveirinha, Mário Coluna, Matateu, Calton, Tico-Tico, Mexer e Dominguez. Uma constelação de nomes que fizeram vibrar o país. Tradicionalmente ecléctico, detentor de uma mística peculiar, o clube procurou sempre orientar as conquistas ao sentido de pertença.

Reza a história de João de Sousa que antes de 1921 os colonos portugueses fundaram as “Águias Negras”, origem do Grupo Desportivo de Lourenço Marques. Tentaram fazer do Desportivo filial do Benfica, mas foi rejeitado. Os dissidentes, com apoio da Câmara Municipal, fundaram o Benfica na Costa do Sol.

O Desportivo era o clube da baixa, mais popular nos subúrbios de maioria negra e mestiça. Essa popularidade vinha de não praticar o racismo. Foi por isso que nos subúrbios se desenvolveu o futebol que Craveirinha desejava estudar. A história do Desportivo confunde-se com a do país. Foi o clube que quebrou as correntes da segregação social.

Na época colonial, de 1925 a 1959, foi campeão da Liga Distrital por 12 vezes. Com a independência, em 1975, conquistou o bicampeonato em 1977 e 1978. Nos anos 80, mais dois títulos em 1983 e 1988 e uma Taça em 1983, culminando com as meias-finais da Taça das Taças de África em 1990.

O Desportivo conquistou o Moçambola por seis vezes — 1977, 1978, 1983, 1988, 1995 e 2006 — mais duas Taças de Moçambique e 15 títulos de hóquei em patins, mais três em Portugal. No futebol, o último grito de glória foi em 2006.

A queda começou em 2012. Primeira descida de divisão, com 14 pontos em 26 jogos. Michel Grispos fizera a “dobradinha” em 2006 e viu o clube cair em 2012. Em 2016, segunda descida. Danilo Coreia liderou a Comissão de Gestão para resgatar o clube.

Mas está há cerca de cinco afastado do Moçambola. Uma vida atribulada entre o karma e as incertezas, onde o pior drama foi a crise financeira que ainda condiciona o emblemaclube.

O clube não vive só de futebol. O hóquei continua a ser referência, e o basquetebol e atletismo  mantém a chama. Mas é no futebol que reside a alma do Desportivo. A ausência no Moçambola pesa numa capital onde a concorrência é feroz. A mística parece hoje um eco distante, apagado pelas dificuldades do dia-a-dia.

Artigos relacionados:

Carregando....