Há 74 anos a mistura de sangue macua e maronga, respectivamente de Ali Mussá e Albertina Tembe, resultou no nascimento de um desportista super-dotado que responde pelo nome de Mussá Tembe. Um ginasta de eleição, que no pico da sua performance ganhou o “Nacional” de Ginástica em 1968, em Portugal, ano em que em Moçambique foi laureado com o prémio “Desportista do Ano”, ao lado da nadadora Clotilde Botelho de Melo.
Para dizer que Mussá foi o ginasta mais completo que Moçambique já teve. Com os seus feitos inspirou a juventude de então, que apesar das restrições que o regime impunha aos nativos começou a acreditar que afinal com esforço e dedicação a raça negra tinha valências para fazer muito mais do que as limitações que lhe eram impostas nas mais diversas esferas da vida social, desportiva, económica, política, etc. Mussa Tembe foi um verdadeiro símbolo de luta, de afirmação.
A ginástica apareceu por acaso. Antes tentou ser jogador. Foi ao Desportivo, mas no lugar do sonho que carregava saiu de lá carregado de humilhação, porque Mário Romeu, um italiano que era representante do seu país em Moçambique, cortou-lhe os pés. Mandou-o embora em moldes pouco recomendáveis, com palavrões à mistura. “Até hoje quando me lembro da forma como me tratou dói-me o coração. Nunca fui destratado daquela maneira em toda a minha vida”.
Foto: Jaime Machel

