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Abdul Abdulá já deu o que tinha a dar e clama por um descanso merecido, até porque ninguém é insubstituível.
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ROSTOS & RASTOS

O FUTEBOL VAI TER SAUDADE DO PROFESSOR ABDULÁ, JÁ À BEIRA DA MERECIDA REFORMA

No futebol moçambicano é uma figura que dispensa apresentações. De qualquer forma, para que conste, chama-se Abdul Abdulá. Nasceu em Maputo, a 23 de Maio de 1954. É filho de Remate Abdul e de Yassin Abdulá, jogador, treinador e dirigente do Grupo Desportivo Mahafil dos tempos de Damião, Quilimo, entre outros. É terceiro de sete irmãos, a saber Zito (da Académica dos tempos de José Pédires), Ismael (radicado em Portugal, mas que antes também passou pela Académica), Zaida (falecida), Amiro, Zulfa e Isac (falecido).

Eis o percurso, contado na primeira pessoa.

PRIMEIROS PASSOS

NA ANTÓNIO ENES!

Em 1973, Abdul Abdulá frequentava o sexto ano no Liceu António Enes (actual Escola Secundária Francisco Manyanga). Sabia que bastava completar o sétimo ano a sorte que lhe esperava era entrar para a tropa portuguesa, com o risco de perder os estudos. Para evitar interromper as aulas ,a meio dessa época, preferiu ir fazendo qualquer coisa enquanto não chegasse o momento de entrar na tropa.

“Inscrevi-me no curso médio de Educação Física, na Escola Nacional de Educação Física. Em 1974 o Serviço Militar Obrigatório foi abolido. Continuei e mais tarde consegui fazer a licenciatura. A escola funcionava perto do ‘Repinga’. A Educação Física não foi uma paixão. O meu sonho e o do meu pai era a formação em direito.Queria exercer advocacia. Seja como for, não estou arrependido por ter feito carreira neste ramo”.

CRAQUE DO ALTOMAÉ E ACADÉMICA

Antes de ser a figura respeitada em que se tornou, teve um passado como futebolista. “Joguei futebol no Liceu António Enes, onde ganhei muitas medalhas. Depois tive tudo para jogar no Mahafil, clube da família, mas por influência de amigos do liceu ingressei no Alto-Maé. Joguei só uma época. Naquele tempo privilegiava-se o sistema 4x2x3. O ataque tinha dois extremos, que só jogavam do meio-campo para a frente”.

Com a influência do irmão Zito, Abdulá chega à Académica com idade júnior, “mas ainda fui a tempo de fazer alguns jogos amigáveis ao lado do meu irmão. Viajávamos juntos para Inhambane com Perides e foi uma experiência boa. Fui reservista daquela forte equipa da Académica composta por grandes jogadores, como Fumito, Marufo, Zito, Rogério Alves, entre outros”.

Era uma equipa de qualidade tão boa que “nós não tínhamos hipóteses de jogar. Estávamos a ser preparados para substituirmos aquele plantel, mas a minha carreira não foi muito longe. Ainda no Alto-Maé tive uma lesão grave, no Campo do Costa do Sol. Sofri um deslocamento do joelho que me levou a ficar dois meses engessado. Fui operado para endireitarem a perna. Mesmo assim não fiquei muito bom. Ainda hoje ressinto-me dessa lesão. Foi a razão que me fez abandonar o futebol, embora tenha continuado a jogar futebol de salão. Foi uma pena, porque tinha muito jeito e futuro no futebol”.

TREINADOR DE ATLETISMO

FAZ SUCESSO DO FUTEBOL!

Impossibilitado de fazer o que mais gostava, Abdul Abdulá, que era jogar futebol, preferiu fazer algo que lhe desse garantias de fazer carreira da área desportiva. Com a sorte a jogar a seu favor, em 1976 foi destacado pelo Governo para ir formar-se em Leipzig, na Alemanha.

“A vaga era para o curso de treinadores de atletismo. Já nessa altura era instrutor do curso de Educação Física, depois de muitos técnicos portugueses terem abandonado o país. Alguns deles foram nossos professores do curso médio, casos de Hermínio Barreto, que foi treinador do Maxaquene, Ussene Alimo e outros. Joel Libombo, Lázaro Sengo, António Prista, que foi meu colega de turma, Humberto Coimbra, que foi campeão de ginástica e outros também fizeram esse curso”.

Em Leipzig, Abdul Abdulá ficou um ano, período durante o qual foi formado como técnico de atletismo. “Não foi escolha pessoal. Fui enviado pelo Governo com esse propósito. Havia algum critério e como eu falava francês do liceu se calhar essa tenha sido uma vantagem. Acabei sendo o primeiro moçambicano a fazer um curso de desporto na Alemanha, mas depois de mim foram outros técnicos, como o Stélio Craveirinha, Abul Ismail, Belmiro Manaca, Barbosa, Camilo Antão, entre outros quadros”.

NA ZAMBÉZIA

COM ARTUR SEMEDO

Regressado de Leipzig, Abdul Abdulá teve uma passagem pela Zambézia, onde foi afecto como um dos professores/instrutores de Educação Física. “Abriu-se uma Escola de Educação Física, cujo director era Camilo Antão. Na Zambézia estive com o Artur Semedo, que inclusive vivia comigo na mesma casa. Ele era professor de Física. Aliás, jogámos juntos no Palmeiras de Quelimane. O Benfica e o Sporting estavam muito atentos à chegada do pessoal de Maputo. Se você tivesse jeito para o futebol eles te levavam”. 

Revela que “quis realmente seguir a formação que fiz, mas a verdade é que não tinha vocação para trabalhar no atletismo, pelo que achei por bem abraçar uma actividade onde pudesse fazer carreira do desporto e escolhi o futebol. Pelo percurso que tive de lá até agora não estou arrependido pela escolha que fiz.

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