OS números do marcador poderiam ter sido outros, mas as linhas de ataque da União Desportiva do Songo e do Ferroviário de Lichinga foram tão perdulárias que nem haveria espaço suficiente para narrar todos os episódios de desperdício de oportunidades que marcaram esta partida vencida (2-0) pelos anfitriões.
Nem pareciam duas equipas baseadas em terras de frio, pois aquilo que faltou em abundância aos atacantes foi precisamente frieza na hora de finalizar. Apenas Neymar, aos 18 minutos, e Gilberto, já no apagar das luzes, aos 92, conseguiram escapar à onda de desperdício.
O festival começou aos 13 minutos, quando Brizzy recebeu uma bola bombeada no corredor central, mas descaída para a direita do ataque “locomotiva”. Ainda conseguiu dominar o esférico, porém, à entrada da área, inexplicavelmente, enrolou-se entre dois defesas e permitiu o corte da defensiva “hidroeléctrica”.
Aos 18 minutos, o Ferroviário esqueceu-se de Neymar no corredor esquerdo. Enquanto os defesas tentavam recuperar as suas posições para impedir a penetração, este foi mais rápido, progrediu na diagonal em direcção à pequena área e, já próximo da baliza, rematou a meia altura, inaugurando o marcador.
Aos 21 minutos Lolo ainda tentou impedir um passe na sua direcção, mas o corte foi feito em direcção a linha lateral, quando se encontrava no corredor central. O.Diaw teve tempo para evitar que a bola saísse, cruzando de seguida para Victor, que, solto e próximo da pequena área, rematou por cima. Minutos depois, voltou a desperdiçar uma oportunidade, quando, já próximo da baliza, pareceu ficar sem forças para rematar, permitindo a intervenção dos defesas por duas vezes consecutivas no mesmo lance.
Na etapa complementar, a turma visitante regressou mais forte, obrigando os anfitriões a recorrerem sobretudo ao contra-ataque. Entre as oportunidades criadas e desperdiçadas, destaque para um lance em que a bola chegou à cabeça de Abrão, isolado pelo lado direito e próximo da baliza. O avançado cabeceou, mas o esférico atravessou toda a extensão da baliza e perdeu-se pela linha de fundo, junto ao segundo poste.
Melque e Muzaza também protagonizaram desperdícios difíceis de explicar. Aos 64 minutos, Melque partiu do meio-campo, driblou todos os adversários que lhe apareceram pela frente, ficou isolado na grande área, mas acabou por rematar sem direcção. Muzaza, por sua vez, também surgiu isolado pelo corredor oposto, à direita. Teve tempo e espaço para decidir, sendo o chapéu uma das opções possíveis, mas preferiu o remate rasteiro, que Macarufo defendeu para canto.
O episódio mais escandaloso foi, no entanto, protagonizado por Fortinho e Ivan. Aos 78 minutos, o primeiro apareceu isolado na grande área, pelo lado direito do ataque, rematou para defesa de Fasito e a bola sobrou para Ivan, que, com a baliza completamente desguarnecida, não conseguiu fazer o golo. Surgiu então Macaime nas costas do avançado, que, na tentativa de cortar o esférico, quase introduziu a bola na própria baliza. Porém, esta embateu no poste e acabou por ser afastada daquela zona.
Quaresma acabou por protagonizar outro momento de enorme ingenuidade. Numa saída aparentemente controlada, perdeu a bola para Ling. O defesa colocou os atacantes do Songo numa situação de três contra um. Ling livrou-se facilmente do último adversário que ainda tinha pela frente e serviu Gilberto, que progrediu e, já dentro da área, rematou sem hipóteses para Macarufo, fixando o resultado em 2-0.
A equipa de arbitragem, liderada por Artur Alfinar, esteve em bom plano.

