Depois de muitos anos de desinteresse, as equipas moçambicanas parecem, finalmente, estarem a entender o valor das Afrotaças.
Nos últimos oito anos o Ferroviário da Beira e União Desportiva do Songo deram o mote, tendo, inclusive, participado de fases de grupos da Liga dos Campeões e da Taça CAF, respectivamente, um arrojo que, infelizmente, não encontrou paralelo noutras equipas nacionais.
Aliás, a ascensão do Ferroviário da Beira e do Songo no panorama futebolístico africano coincide com o “abandono” destas provas por parte dos nossos clubes históricos, nomeadamente o Ferroviário de Maputo e o Costa do Sol, para além da deterioração das condições estruturais e financeiras do Maxaquene e do Desportivo de Maputo que outrora eram clubes com alguma assiduidade nas Afrotaças.
Após o desfecho da pré-eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões e da Taça CAF que, felizmente, resultou na qualificação da Black Bulls e do Ferroviário de Maputo para a fase seguinte, o país ficou com mais motivos para sorrir e também passar a encarar as Afrotaças como provas de valor. Valor desportivo e financeiro.
De valor desportivo porque estas competições conferem mais rodagem às nossas equipas, lhes expõe à alta rotação, valoriza e melhores os índices e indicadores competitivos dos seus jogadores e no fim do dia ganha a Selecção Nacional e o futebol moçambicano no geral.
Os jogos que presenciamos no Tchumene no fim-de-semana são testemunhas disso. Futebol intenso, técnico, táctico, competitivo e equilibrado, com a disputa das eliminatórias a ir até ao limite.
É naquele tipo de palcos que as melhores equipas do nosso país devem andar. Afinal, a marca Moçambique pode ser bem vendida através do futebol e nos últimos quatro anos a Black Bulls parece ser o único clube que melhor entendeu isso, tendo sido premiada com a presença na fase de grupos da Taça CAF, ano passado, procurando chegar a Liga dos Campeões na presente temporada.
No plano financeiro é que estas provas, sobretudo nos últimos anos, têm sido atractivas. Este ano, por exemplo, participar da fase preliminar dá direito a 100 mil dólares, o dobro do que era dado no ano passado. Mais de seis milhões de meticais que servem para minimizar as despesas logísticas. Enquanto isso, atingir a fase de grupos da Liga dos Campeões dá direito a 700 mil dólares, cerca de 45 milhões de meticais. É uma verba que dá para orçamento anual de um clube que luta pelo título no Moçambola.
Quanto à Taça CAF, a fase de grupos rende 400 mil dólares, cerca de 25 milhões de meticais. Para além do “prize-money” que, convenhamos, ainda é baixo se comparado com o que outras confederações oferecem, as Afrotaças são um palco privilegiado para a exposição, venda e compra de jogadores e treinadores.
Resumindo, clubes nacionais precisam deste tipo de montras, até porque Moçambique não é uma ilha.



